Egon Schiele – Morte e Donzela | Crítica

Longa traça vida e obra de um dos artistas mais controversos do início do século XX.

Egon Schiele - Morte e Donzela (Divulgação/Cineart Filmes)
Egon Schiele – Morte e Donzela (Divulgação/Cineart Filmes)

Baseado na biografia “A Morte e a Donzela” de Hilde Berger e dirigido pelo vienense Dieter Berner, o filme retrata a trajetória pessoal e artística do polêmico pintor expressionista austríaco Egon Schiele, falecido em 1918 aos 28 anos, vítima de gripe espanhola. Tendo desde muito cedo demonstrado talento, Egon iniciou seus estudos na Escola de Artes de Viena, aos 15 anos, adotando a irmã mais nova Gerti como modelo de seus trabalhos carregados de nus e eroticismo, elementos que se intensificaram conforme sua carreira evoluiu e foram motivo de perseguições e críticas da sociedade conservadora da época.

Schiele teve como mentor Gustav Klimt, um dos maiores nomes do expressionismo austríaco, de quem adotou vários elementos estéticos e através do qual conheceu a modelo Walburga ‘Wally’ Neuzil, uma garota humilde que rapidamente tornou-se sua musa, substituindo a irmã. O relacionamento profissional se transformou em romance, tendo Wally inspirado alguns dos seus trabalhos mais famosos tais como “Retrato de Wally” e a obra que dá título ao filme, “A Morte e a Donzela”.

Egon e Wally viveram juntos por vários anos, e a jovem esteve ao seu lado em todos os momentos, mesmo durante o processo no qual o pintor foi acusado de pedofilia, suspeita que mais tarde foi descartada. Alguns anos depois, Schiele abandona Wally e casa-se com Edith (Marie Jung), uma moça de posição social mais elevada, que também faleceu de gripe espanhola 3 dias antes do marido.

Lançado na Europa em 2016, Egon Schiele – Morte e Donzela chega apenas agora nos cinemas brasileiros, e tem no ator de primeira viagem Noah Saavedra seu protagonista, que frequentou aulas de teatro e desenho para viver o personagem. A química entre ele e Valerie Pachner no papel de Wally é um dos pontos altos do filme, assim como Maresi Riegner, que brilha modestamente como a irmã Gerti. A câmera de Berner é simples e estática, com roteiro que se divide entre um Schiele no presente, frágil e doente, e o início de sua vida e carreira; em um longa que, como biografia, está mais preocupado em retratar fatos do que exatamente ser cinematográfico.

Uma boa oportunidade para os fãs de Schiele e das artes no geral conhecerem mais a fundo a vida de um artista ousado, a frente do seu tempo, que usou a pintura como expressão, sem pudores, e defendeu sua visão até o fim da vida.

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