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Crítica: O Amante Duplo

Longa de François Ozon mistura surrealismo e sensualidade.

O Amante Duplo (Divulgação/California Filmes)
O Amante Duplo (Divulgação/California Filmes)

Chloé (Marine Vacth), uma ex-modelo de 25 anos, sofre há anos de fortes dores no estômago que aparentemente não tem explicação médica. Como última opção, convencida de que seu mal-estar pode ser de fundo emocional – uma relação complicada com a mãe, problemas sexuais e de relacionamento e um possível começo de depressão – decide consultar-se com um psicólogo, Paul (Jérémie Renier). Profissional e dedicado, Paul ouve e aconselha Chloé no melhor das suas habilidades, porém não demora para que a relação médico/paciente evolua para um romance, interrompendo o tratamento.

O casal se muda para um novo apartamento e tudo vai bem, exceto que, para todos os efeitos, Paul permanece um mistério. Pouco se sabe sobre sua família ou seu passado, e curiosa, Chloé vasculha seus pertences em busca de respostas, encontrando pistas de que o namorado esconde alguns segredos. Tudo piora quando Chloé avista Paul conversando com uma estranha, e, temendo uma traição, o confronta. Acontece que, para a sua surpresa, o homem em questão não é Paul, e sim Louis, seu gêmeo idêntico, que torna-se imediatamente um objeto de fascinação para Chloé, que não fazia idéia de sua existência. Coincidentemente também um psicólogo, Louis passa a tratar a jovem, embora seus métodos se provem nada ortodoxos. Instala-se então um triângulo amoroso extremamente disfuncional, eventualmente com resultados desastrosos para todas as partes envolvidas.

O Amante Duplo (L’amant Double, em francês) é livremente adaptado do romance Lives of the Twins (Vidas dos Gêmeos) de Joyce Carol Oates, lançado em 1987; porém aqui o diretor François Ozon reinterpreta parte da trama, explorando mais intensamente o caráter psicológico da protagonista, que vira refém de momentos nos quais a alucinação e a realidade se misturam, ao ponto de que, assim como ela, não sabemos se podemos ou não acreditar em nossos olhos. O elemento sexual também é explorado de forma intensa durante todo o filme, incluindo uma interessante sequência de abertura e a realização de fantasias eróticas com direito a acessórios, até momentos BDSM.

Jérémie Renier faz um bom trabalho interpretando os gêmeos, especialmente Louis, em seus momentos de maior descontrole emocional, mas é Marine quem brilha com uma performance ao mesmo tempo frágil e mercurial. A fotografia de Manuel Dacosse é refinada, brincando constantemente com espelhos e reflexos que mimicam a sensação de que nada é o que parece ser. Sofrendo de uma crise de tonalidade irregular que se normaliza no último ato, O Amante Duplo nos leva por um labirinto sensorial que nem sempre faz sentido mas que é interessante o suficiente para nos prender até o fim.

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Evie Diane
Evie Diane
Cresceu vendo filmes ao invés de brincar na rua. Fã de ir ao cinema sozinha. Denis Villeneuve, Steve McQueen, Luca Guadagnino, Woody Allen, Christopher Nolan, Olivier Assayas.

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