O Orgulho | Crítica

Preconceito étnico é o ponto de partida do filme francês do cineasta Yvan Attal.

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Lais Rilda
Lais Rilda
Estudante de Rádio, TV e Internet e consequentemente apaixonada por audiovisual, passo a maior parte do tempo relacionando o que aprendo em sala de aula com o que vejo na vida real e na ficção.

O Orgulho (Divulgação/Pandora Filmes)
O Orgulho (Divulgação/Pandora Filmes)

A copa do mundo nos fez voltar os olhos para outros países, entre eles o da seleção campeã, a França. Mas porque falar de Futebol quando o assunto é cinema? Então, o destaque da seleção Francesa durante a competição despertou a atenção do público também para questões sociais. Um time repleto de jogadores oriundos de famílias refugiadas, que ainda se deparam com o preconceito pela sua origem. Esse é o ponto de partida do longa O Orgulho.

Ao chegar atrasada no seu primeiro dia de aula, Neïla Salah (Camélia Jordana) é repreendida pelo professor, que em seguida à ofende ao escutar seu sobrenome de origem argelina. Assim como os destaques da seleção francesa, Neila é parte de uma nova geração francesa filhos de estrangeiros refugiados. Pierre Mazard (Daniel Auteuil), professor que a ofende, representa a parcela social arcaica e intolerante, além de ofende Neila usa da sua retórica para afirmar que ela está se vitimizando.

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A retórica de Pierre, entretanto, acaba se tornando a responsável pela aproximação entre os dois personagens. Vários estudantes não deixaram passar barato e denunciaram as ofensas do professor que ao chegarem a cúpula da universidade se vê ameaçado. Para não ser desligado da Universidade, Pierre recebe a proposta de treinar Neila para uma competição nacional de retórica. Tão conservadora e racista quanto o professor, a universidade deseja tornar Neila, descendentes de Argelinos, campeã para afirmar uma falsa empatia da gestão pelo “respeito às diferenças”.

Daí em diante, O Orgulho se torna uma constante construção e desconstrução dos seus protagonistas durante a preparação de Neila para a competição. O que em alguns momentos torna-se enfadonho. A aproximação entre os personagens é sempre comedida, dada as suas diferenças isso sem sombra de dúvida é refletido também na fotografia do longa, que utiliza cores sempre frias e acinzentadas.

O Orgulho é um filme que desperta a curiosidade do espectador quanto as questões sociais francesas. Relembra as dimensões que discursos podem ter quando proferidos de maneira equivocada, propositalmente ou não. E infelizmente, peca por sua monotonia, que são sempre salvos pelos pequenos arcos que envolvem personagens próximos aos protagonistas.

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