O Candidato Honesto 2 | Crítica

Filme faz piada de momento conturbado da política no país, mas usa do mesmo humor já visto em outros trabalhos de Leandro Hassum na TV.

O Candidato Honesto 2 (Divulgação/Downtown Filmes)
O Candidato Honesto 2 (Divulgação/Downtown Filmes)

João Ernesto (Leandro Hassum) ganha liberdade e decide concorrer à Presidência da República. O plot de O Candidato Honesto 2 é a ascensão do candidato – que acabou preso no primeiro filme – e seu período no comando do país.

Em essência, o filme da sequência protagonizada por Leandro Hassum traz mais uma comédia pastelão tipicamente brasileira – de modo que você já espera o que vai acontecer – com alguns (dois) momentos de surpresa e uma verdadeira sátira do cenário político atual. Na verdade, do cenário brasileiro atual como um todo – afinal, o japonês da federal e toda a questão acerca dos nosso problemas de justiça não se limitam à política.

É preciso dizer, no entanto, que em alguns momentos a sala de cinema transbordou de risos. As típicas piadas com homossexuais existem, mas não há uma grande forçada de sexualização a fim de ser engraçado. “O Candidato Honesto 2” traz referências a outros filmes e zomba um pouco do cinema nacional – o que pode não ter sido uma boa jogada. Além disso, tem em suas referências satíricas, sem sombra de dúvidas, o ponto alto do filme. Seja a “ex-presidenta” pedalando em sua bicicleta, seja o “presidente” como um vampiro, seja um candidato que queima uma bandeira LGBT em rede nacional. Nada de novo, não é?

De modo geral, o filme, com toda sua tentativa de pegada cômica, traz uma pincelada de reflexão para um período em que o país chega às eleições sem sequer saber quem vai ou não poder concorrer. O elenco traz boas surpresas como Cássio Pandolfi e Mila Ribeiro. Além desses, a personagem de Rosanne Mulholland tenta trazer um lado mais “comédia romântica” que não funcionou bem.

Além disso, uma das coisas que me chamou atenção em O Candidato Honesto 2 foi, logo no começo, quando João Ernesto usa de discurso o fato de ter admitido os próprios erros e estar tentando mudar. O segundo, quando há uma mensagem sobre o povo brasileiro e seus políticos. Esses momentos são também o auge da profundidade do roteiro.

Apesar de boas atuações e de algumas boas piadas, O Candidato Honesto 2 acaba sendo mais do mesmo e faz-se valer da crítica que ele mesmo faz, na  cena em que um protagonista frequenta uma sessão de cinema no Palácio da Alvorada. O filme é mais uma comédia brasileira com uma certa forçada de barra, que traz o típico humor de Leandro Hassum e seus trabalhos na TV.

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