Troca de Rainhas | Crítica

Drama histórico gira em torno de duas jovens que são usadas como moeda de troca no regime de poder entre França e Espanha no século 18.

Troca de Rainhas (Divulgação/Pandora Filmes)
Troca de Rainhas (Divulgação/Pandora Filmes)

O cineasta francês Marc Dugain tem um currículo marcado por sua experiência em filmes históricos. Seu primeiro filme para os cinemas, “An Ordinary Execution” (2010), foi uma adaptação de um livro que conta a história do relacionamento entre Stálin e sua médica, que esteve junto com ele nos seus últimos momentos de vida. De lá pra cá, focou sua carreira no gênero, mas desta vez para a TV – lançou o drama “La Bonté des Femmes” (2011) e “The Curse of Edgar” (2013). Sete anos depois, retorna aos cinemas com Troca de Rainhas (“L’Echange des Princesses”), adaptando o romance de Chantal Thomas, que divide com o cineasta o roteiro do longa metragem.

Troca de Rainhas se passa em 1721, quando Philippe d’Orléans (Olivier Gourmet), regente do reino da França, com o objetivo de manter a paz entre França e Espanha após anos de guerra, propõe uma troca de princesas que resulta no noivado do rei da França, Louis XV (Igor van Dessel), de 11 anos, com Anna Maria Victoria (Juliane Lepoureau), de 4 anos; e do príncipe herdeiro Louis, de 11 anos, com Louise-Elisabeth d’Orleans (Anamaria Vartolomei), de 12 anos. O que ele não esperava é que a chegada dessas jovens princesas poderia comprometer os jogos de poder na Corte.

Assim como o filme, o romance de Chantal Thomas traz os bastidores das relações pessoais e de poder que envolvem as cortes da França e da Espanha no século 18. São fatos até então de pouco conhecimento da sociedade e que ganha maiores proporções ao sair das páginas da literatura para as grandes telas do cinema.

O longa mostra como as crianças eram tratadas naquela época em meio ao jogo de poder das cortes – apenas como moedas de troca num regime cheio de manipulações que culminaria, posteriormente, em sua decadência. O resultado disso é, setenta anos depois, a ocorrência da Revolução Francesa.

Cena do filme Troca de Rainhas, de Marc Dugain (Divulgação/Pandora Filmes)
Cena do filme Troca de Rainhas, de Marc Dugain (Divulgação/Pandora Filmes)

A fotografia de Gilles Porte faz transições de cenas entre ambientes iluminados para outros um tanto sombrios, tons que definem a atmosfera por vezes esplendorosas e por outro lado, danosa. O figurino, cabelo e maquiagem, associados a composição do design de produção tornam a ambientação crível, promovendo imersão àquela época.

A encenação da Troca de Rainhas promovida por Dugain não só mostra o ponto de partida das fracassadas estratégias diplomáticas entre França e Espanha, mas retrata também como as jovens rainhas lidam com a interferência em seus futuros, definidos a partir da decisão da troca. São mulheres fortes que, diante de uma época de raiz conservadora, não se deixam dissuadir pelos mandos e desmandos de seus superiores, que valorizam as riquezas e esquecem que estão lidando com seres humanos.

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