A Freira | Crítica

Terror foca em tentar provocar sustos no espectador e esquece de desenvolver a trama de origem da freira Valak.

Taissa Farmiga é a Irmã Irene em "A Freira" (Divulgação/Warner Bros.)
Taissa Farmiga é a Irmã Irene em “A Freira” (Divulgação/Warner Bros.)

Em 2013, James Wan lançava uma das franquias de terror mais bem sucedidas do cinema contemporâneo. Com “Invocação do Mal”, criaturas realmente assustadoras como há muito tempo não se via surgiram nas telonas – a exemplo da Annabelle, do Homem-Torto e da freira Valak nos dois primeiros filmes da franquia. Depois da boneca sombria ganhar seus filmes solos, agora chegou a vez de A Freira contar a história de Valak, o demônio que aterrorizou Ed e Lorraine Warren em “Invocação do Mal 2”.

Promovido como “o filme mais sombrio da franquia”, quem vai assistir A Freira logo perceberá que não é bem assim. O filme de Corin Hardy se esforça para se tornar assustador, mas perde o ritmo na hora de tentar criar atmosfera para isso. O excesso de jump scares poderia justificar a expressão usada pelo marketing do longa, não fosse a previsibilidade de cada susto que estava por vir.

No filme, uma freira presa num convento isolado na Romênia comete suicídio. O Vaticano convoca um padre e uma noviça para investigar a morte da freira e se o convento ainda é um local sagrado. Lá, acabam diante dos segredos mais profanos guardados por uma criatura do mal personificada como uma freira demoníaca que habita o local e desafia sua vida e fé.

Roteiro fraco de A Freira tira a força da personagem principal

Cena de "A Freira" (Divulgação/Warner Bros.)
Cena de “A Freira” (Divulgação/Warner Bros.)

Na pele da Irmã Irene, Taissa Farmiga (“American Horror Story”) carrega o filme nas costas, mesmo que no final, sua personagem perca o ritmo e saia como mocinha de filme romântico. O desfecho de A Freira, inclusive, é algo preocupante. Um emaranhado de situações se cria, com direito a zumbis e uma Valak esperta, que vai embora após uma resolução que exige pouco esforço criativo e digna de filme trash (ademais se tratando de efeitos especiais).

É difícil assistir “A Freira” e não fazer comparação com “Annabelle 2: A Criação do Mal”. A diferença é que um acerta a mão no roteiro enquanto outro já não sabe muito o que desenvolver. Enquanto o segundo filme da boneca de “Invocação do Mal” contou com maestria uma trama de origem, o filme solo da Valak parece se preocupar mais em assustar do que contar uma história mais detalhada sobre a freira demoníaca.

A Freira: ambientação meio-termo

Jonas Bloquet como Frenchie em "A Freira" (Divulgação/Warner Bros.)
Jonas Bloquet como Frenchie em “A Freira” (Divulgação/Warner Bros.)

A direção de arte capricha nas locações internas, criando uma ambientação que sustenta o clima de tensão exigido pelo roteiro e acompanhado da excelente trilha sonora de Abel Korzneniowski. Mas algumas cenas externas incomodam, como o convento que muito lembra uma versão mal editada do castelo de Hogwarts, dos filmes do Harry Potter. Além disso, voltando ao começo do filme, a cenografia e a caracterização também demonstram suas falhas, com uma ambientação nos anos 50 que na verdade lembra mais os anos 1990 ou 2000.

A presença do Frenchie/Maurice (Jonas Bloquet) também é algo a refletir. O franco-canadense é nitidamente uma versão que não funcionou direito do cômico Bret (Alexander DiPersia) de “Quando as Luzes se Apagam”. O moço surge para resolver algumas situações ou servir de alívio cômico, com piadas não muito engraçadas, em meio a tensão que o filme tenta criar.

Diante da expectativa criada em cima de um filme da personagem que mais aterrorizou os espectadores da franquia “Invocação do Mal”, A Freira acabou entregando uma trama mal desenvolvida, que cria tensão em torno de jump scares previsíveis e que mais diverte do que assusta. Vale pela cena final, que resgata Invocação do Mal e nos faz lembrar dos melhores filmes da franquia e que sua continuação, o terceiro longa, está batendo nas portas de 2019.

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