Crimes em Happytime | Crítica

Melissa McCarthy se une a um Muppet para resolver crime nesta pervertida comédia de humor negro.

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Paulo Cavalcante
Paulo Cavalcantehttp://www.cafedeideias.com
Professor, atua na internet há mais de dez anos produzindo conteúdo sobre séries e cinema, aprecia a sétima arte e a dramaturgia para as diferentes telas.

Crimes em Happytime (Divulgação/Diamond Films)
Crimes em Happytime (Divulgação/Diamond Films)

Como seria se os humanos vivessem numa sociedade em que os Muppets fossem realidade e compartilhassem dos mesmos espaços e posições sociais? Brian Henson tentou levar para as telonas essa visão no filme Crimes em Happytime (“The Happytime Murders”), aproveitando parte do roteiro que escreveu ainda quando era jovem e trabalhava com o pai, Jim Hanson, nos bastidores do famosos show de marionetes. Brian ainda dirigiu “O Conto de Natal dos Muppets” e “Os Muppets na Ilha do Tesouro” antes de subverter as histórias familiares que o acompanharam por toda a vida.

Em Crimes em Happytime, Melissa McCarthy se junta a um desses bonecos para protagonizar um enredo de investigação, humor ácido e conteúdo sexual, de certa forma, explícito. O longa nos apresenta ao detetive Phil Phillips, que após a morte do irmão, terá de investigar um serial killer que tem como alvo os astros do seriado “The Happytime Gang”, famoso nos anos 80 (e claramente inspirado em “Vila Sésamo”). Para ajudar nas investigações, passa a ter ao seu lado a detetive Connie Edwards (Melissa McCarthy), sua ex-parceira na polícia e que esteve envolvida diretamente com a sua expulsão da corporação no passado.

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Usando como artifício a interação entre bonecos e humanos, Brian Henson deixa claro que quer se distanciar da obra criada por seu pai, ainda que faça uso de referências. Através dessa interação, o cineasta ao lado dos roteiristas Todd Berger e Dee Austin Robertson se propõem a discutir, sem muita profundidade mas de igual importância, temas relevantes à nossa atualidade, que vão desde o preconceito pelas diferenças e o embranquecimento de um personagem ao declínio pós fama e o envolvimento com drogas.

As homenagens ao legado de Jim Henson e os Muppets estão ali, escondidas entre discussões mais profundas que, por sua vez, estão mergulhadas em um humor negro que nem sempre faz rir. Melissa McCarthy aparece ótima em cena e sua interação com os Muppets, principalmente com Phil Philips, tornam a fantasia verossímil. Mas o verdadeiro destaque, senao para os próprios Muppets, é de Maya Rudolph, que apesar das poucas aparições, rouba a cena e tem as melhores tiradas sempre que surge na tela.

Durante o filme, é possível que o espectador se pegue esquecendo que os Muppets são bonecos e o tratem como personagens humanos – e essa é uma das principais intenções da narrativa. Embora não seja tão engraçado como se propõe a ser, Crimes em Happytime tem uma narrativa bem construída e mostra onde quer chegar e tem seu mérito por desconstruir padrões e levar para as telonas uma proposta diferente de comédia de humor negro que estamos acostumados a assistir.

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