Crô em Família | Crítica

Talentos se sobressaem em meio a tantas participações especiais, protagonista caricato e piadas sem graça.

Elenco de "Crô em Família" (Divulgação/Globo Filmes)
Elenco de “Crô em Família” (Divulgação/Globo Filmes)

Crodoaldo Valério está de volta. Cinco anos após o lançamento do sofrível primeiro filme, que ainda assim levou mais de um milhão de espectadores aos cinemas, o icônico mordomo da vilã Tereza Cristina (Christiane Torloni) na novela Fina Estampa, de Aguinaldo Silva, está de volta às telonas em Crô em Família.

No longa, Crô (Marcelo Serrado) agora é dono de uma procurada escola de etiqueta e finesse. Mesmo com toda a sua fama, ele se sente bastante carente e vulnerável, por não ter amigos nem uma nova musa a quem dedicar a vida. A situação complica quando seu amado Zarolho (Raphael Viana) decide ir embora. Depressivo, Crô vê sua vida virar de cabeça pra baixo quando Orlando (Tonico Pereira) e Marinalva (Arlete Salles) batem na sua porta, dizendo serem seus pais. Juntos, eles trazem o resto da família encrenqueira. Ao mesmo tempo, Crô precisa escapar da sempre venenosa colunista Carlota Valdez (Monique Alfradique).

Apesar da troca de direção – sai Bruno Barreto do primeiro filme e entra Cininha de Paula -, parece que quase nada mudou em relação ao primeiro filme. As piadas sem graça continuam, e sua maioria fora do tempo – em tempos de uma comunidade LGBT cada vez mais ativa na sociedade e na internet, o roteiro de Aguinaldo Silva parece engessado e “arcaico”, trazendo Crô com um “pajubá” desatualizado, com referências fora de tempo (ele solta coisas como “pedi pra parar, parou” e “sai da minha aba, sai pra lá”) e construindo um protagonista exageradamente caricato, que por vezes soa forçado.

‘Crô em Família’ tem talentos em meio a excesso de participações

Marcelo Serrado é o protagonista de "Crô em Família" (Divulgação/Globo Filmes)
Marcelo Serrado é o protagonista de “Crô em Família” (Divulgação/Globo Filmes)

Por outro lado, o destaque mesmo fica por conta de Jefferson Schroeder, que ao contrário do Crô de Serrado, surpreende com sua Geni, funcionária e amiga do personagem título e muito bem caracterizada e interpretada. Em sua primeira aparição, Schroeder passa despercebido em cena e faz acreditar que ali é a Geni, e não o rapaz que surgiu no teatro e bombou na web com suas dublagens. Além disso, é perceptível que a personagem é mais condizente com a atualidade, fazendo uso de gírias modernas e criando bordões engraçados (como o “fiquei gif”).

Enquanto Marcelo Serrado se esforça para fazer um Crô convincente, o personagem acaba sendo atropelado pelos coadjuvantes. E não é por falta de dedicação do ator, que entrega o máximo que pode de si para fazer o seu papel. Mas até a jovem Mel Maia, com pequenas aparições, rouba a cena a cada vez que fala algo.

Com um caminhão de participações especiais, algumas foram de extrema importância para salvar a comédia – além de Jefferson Schroeder como a Geni, Arlete Salles comprova que é ótima como vilã caricata, Fabiana Karla mostra que está sempre preparada para assumir qualquer personagem, fazendo sempre um melhor que o outro e as reuniões de Marcelo Serrado, Marcus Majella e Luis Miranda como Crô, Ferdinando e Dorothy no Chá das Bichas foram um dos pontos altos de “Crô em Família”. Já outras participações são desnecessárias, como o papel oferecido a Jojo Todynho ou a Marcos Caruso, que surge como Seu Peru, da “Nova Escolinha do Professor Raimundo”.

O excesso de inserções comerciais incomoda, como a empresa de chás cujo Crô faz uma declaração de amor para um de seus produtos antes de jogar a embalagem no lixo e logo em seguida, um ônibus passa na rua exibindo uma propaganda da mesma marca. A edição do longa também chama atenção por parecer retalhada, com cortes bruscos, e bastante problemática na cena em que Crô vai a um show de Pablo Vittar e Preta Gil numa famosa boate Paulista (cuja marca, mais uma vez, estava claramente exposta).

Crô em Família é um filme equivocado, embora não seja nenhum teste de paciência para o espectador. Mas, por ser declaradamente uma comédia, carece de piadas e situações inteligentes e atualizadas, já que o saldo é uma produção bastante sem graça.

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