O Retorno do Herói | Crítica

Diretor Laurent Tirard conquista com charmosa comédia e ótimos personagens.

O Retorno do Herói (Divulgação/A2 Filmes/Mares Filmes)
O Retorno do Herói (Divulgação/A2 Filmes/Mares Filmes)

Quando o elegante Capitão Neuville (Jean Dujardin) pede a mão da jovem Pauline (Noemie Merlant) em casamento tudo parece perfeito. Até que um chamado urgente força-o a abandonar a recém-noiva e partir para a guerra contra os ingleses. Após meses sem notícias, temendo o pior e sofrendo de pneumonia, Pauline se encontra em estado de risco. É quando a irmã mais velha, Elisabeth (Melanie Laurent), diante da fragilidade da irmã mais nova decide escrever-lhe uma carta personificando o capitão, na esperança de que as palavras do noivo até então desaparecido sejam uma fonte de conforto. O que Elisabeth não contava era que essa correspondência tomaria proporções inesperadas que ameaçavam fugir do seu controle. Decidida a cortar o mal pela raiz, Elisabeth escreve uma última carta, na qual dá a entender que Neuville provavelmente não retornará com vida do fronte. Anos mais tarde, porém, eis que o capitão retorna à pequena cidade no interior da França, vivo e com saúde, tornando-se um enorme problema.

Comparações podem ser feitas entre a heroína de O Retorno do Herói (“Le retour du héros”) e uma das personagens mais conhecidas da literatura, Elizabeth Bennet, de Orgulho e Preconceito: ambas são jovens impetuosas, extremamente inteligentes e à frente do seu tempo. Já o malandro Capitão Neuville nada tem de Mr. Darcy. Graças às fantasiosas aventuras e imensa bravura atribuídas à ele por Elisabeth, o mesmo figura como herói de guerra reverenciado por todos na cidade – o que não poderia ser mais distante da verdade, uma vez que o capitão desertou seu batalhão para conseguir sobreviver, e muito rapidamente se mostra no geral adepto de práticas nada honrosas. Presos um ao outro numa rede de mentiras mirabolantes, a dupla desenvolve uma relação baseada em chantagem mútua, sempre tentando provar quem dos dois é mais esperto.

O diretor Laurent Tirard, conhecido pelas adaptações de O Pequeno Nicolau” e “Asterix e Obelix”, aposta no ótimo roteiro escrito em parceria com Grégoire Vigneron e na química entre Melanie e Dujardin para trazer às telas essa charmosa e encantadora comédia cheia de reviravoltas. Dujardin, em especial, consegue transitar entre a persona refinada e cheia de dignidade do capitão e a comicidade de um trapaceiro sem escrúpulos de forma convincente e sem dificuldades. O design de produção também merece destaque, com atenção aos cenários e figurinos de época, datando do começo do século 19.

Nas mãos de roteiristas menos talentosos, O Retorno do Herói poderia não funcionar tão bem ou ser mais uma comédia “de uma nota só”, mas aqui acontece o contrário: o filme se destaca por uma narrativa não convencional – até certo ponto -, com diálogos inteligentes, personagens fazendo escolhas inesperadas e surpreendentes e ótimo timing. O humor francês vai muito bem, obrigado.

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