Nasce Uma Estrela | Crítica

Lady Gaga e Bradley Cooper emocionam no filme que é o terceiro remake da história original de 1937.

Nasce Uma Estrela (Divulgação/Warner Bros.)
Nasce Uma Estrela (Divulgação/Warner Bros.)

Embora a história de Nasce Uma Estrela seja clássica – afinal, foi estrelada em 1937 por Janet Gaynor -, de décadas em décadas algum cineasta encontra uma maneira de dar uma nova forma a trama de fama e drama. Depois de Janet, vieram Judy Garland e Barbra Streisand para antecipar a história que Lady Gaga viria a interpretar neste ano de 2018, ao lado de Brady Cooper.

No filme, o astro da música Jackson Maine (Bradley Cooper) inicia um romance com Ally (Lady Gaga), uma cantora que se apresenta em um bar de shows de drag queens enquanto nenhum produtor musical se interessa por seu talento. Ao mesmo tempo em que Jackson vê sua carreira ir para o fundo do poço devido ao alcoolismo, ele ajuda Ally a ter visibilidade e a moça posteriormente encontra o seu caminho na música e consequentemente, encontra a fama. Os dois lados extremos da carreira do casal e os problemas internos acabam sendo o fio condutor que leva a degradação do relacionamento entre os dois.

O filme chega no Brasil uma semana após a estreia nos cinemas americanos e mais algumas semanas depois de suas primeiras exibições em festivais. O resultado disso é um hype altíssimo para quem vai assistir depois dos elogios que a crítica estrangeira vem fazendo ao filme. A verdade é que Nasce Uma Estrela é sim tudo isso que estão falando.

Primeiramente, Nasce Uma Estrela é um musical e aproveitou muito bem o talento de Lady Gaga. A cantora foi responsável por grande parte da composição da trilha, que vai do pop (com “Why Did You Do That?”) ao rock clássico (“Black Eyes”) sem barreiras e ainda adiciona um cover empolgante de Édith Piaf (“La Vie En Rose”). O capricho musical tem dedo não só de Gaga, mas também da entrega de Bradley Cooper – que também fez as vezes de cantor – e dos produtores associados, grandes parceiros da cantora em sua carreira, como Mark Ronson e o DJ White Shadow (este último compôs um terço da trilha). Embora as canções nem sempre sejam bem aproveitadas dentro do roteiro, já que na maioria das vezes não estão lá pra conduzir a trama, e sim para representar as apresentações artísticas dos personagens, elas são importantes na construção da identificação do público com as personagens. É quase impossível imaginar alguém que não tenha se emocionado de alguma forma quando Ally entoa o refrão de “Shallow” na sua primeira subida aos palcos, seja no filme ou mesmo no trailer.

Algo a se observar, ainda que de maneira bem discreta, é a construção dos personagens coadjuvantes, que são essenciais para desenvolver a história de Ally e Jackson, embora alguns deles pipoquem na tela sem nenhuma apresentação enquanto outros desaparecem da mesma forma inesperada que apareceram. Ainda assim, o roteiro assinado por Bradley Cooper, Eric Roth e Will Fetters é belíssimo e bem construído, respeitando a concepção das versões clássicas, mas dando o seu toque de originalidade através da liberdade proporcionada pelo desenvolvimento de uma adaptação.

Bradley Cooper e Lady Gaga em cena de "Nasce Uma Estrela" (Divulgação/Warner Bros.)
Bradley Cooper e Lady Gaga em cena de “Nasce Uma Estrela” (Divulgação/Warner Bros.)

Bradley Cooper é eficiente em seu primeiro trabalho como diretor, não bastasse o ótimo desempenho cantando e atuando ao lado de Gaga. E por falar nela, uma palavra pode definir sua atuação no longa: maravilhosa. Você sentirá o quanto ela se entregou ao filme e a personagem. A sua interpretação é perfeita, embora a personagem seja contida e não tenha um “Oscar Winning moment”. Sabe aquela cena histérica que toda Oscar Winner tem nos filmes pra ficar de tape na hora do anúncio das indicadas e claro, garantir a sua estatueta? Falta no filme. E isso não tira o mérito da Gaga como atriz, que repito, está perfeita. Mas pode ser que ela não chegue a tocar no homenzinho dourado.

Se tratando de uma adaptação, há de se elogiar o trabalho de Cooper em pesquisar situações que pudessem ser representadas na trama ou que servissem de inspiração para o roteiro. Um exemplo é que quem acompanha a carreira de Lady Gaga certamente irá notar uma semelhança da relação de Ally com o seu produtor musical e gerenciamento de carreira com a da própria Gaga. Isso talvez não fosse possível se Bradley Cooper não tivesse antes conversado com a cantora e conhecido sua história. O ativismo da intérprete da protagonista e sua relação com a comunidade da LGBT também influenciou a adição deste núcleo na trama, com o bar de drag queens onde Ally se apresenta. Com isso, ainda fomos agraciados com a atuação da fantástica e hilária Shangela Laquifa, revelada na TV através do reality show vencedor do Emmy “RuPaul’s Drag Race”.

Por fim, não poderia encerrar esse texto sem dizer que Nasce Uma Estrela é um filme emocionante, romântico, dramático, reflexivo e ao mesmo tempo, triste. Talvez um dos melhores filmes que você verá (e deve ver!) nos cinemas este ano, sobre uma estrela que precisa ser apagada pra outra poder brilhar.

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