O Primeiro Homem | Crítica

Damien Chazelle explora os passos de Neil Armstrong até sua chegada a lua na forma de cinebiografia com tons de ficção científica.

O Primeiro Homem (Divulgação/Universal Pictures)
O Primeiro Homem (Divulgação/Universal Pictures)

Neil Armstrong ganhou status de herói ao ser o primeiro homem a pisar na lua. Um grande feito para NASA, que após mal sucedidas missões conseguiu encaminhar um de seus astronautas para o satélite da Terra antes da União Soviética. Ao evitar os clichês Hollywoodianos, Damien Chazelle (“La La Land”) deixa de lado as cinebiografias que somente enaltecem um personagem para em O Primeiro Homem (“First Man”) mostrar a sua construção, com base nos seus passos desde a sua chegada a NASA até a sua grande conquista.

Chazelle aposta nos elementos de ficção científica para relatar a trama que caminha por longos anos da cronologia, todos contados sem pressa e com riqueza de detalhes através do roteiro de Josh Singer, com base no livro homônimo de James R. Hansen. Apesar disso, essa passagem de tempo não é bem situada na tela, já que não se explora ambientações diferentes para explorar cada época ou mesmo é feito um trabalho de cabelo e maquiagem para assinalar as marcas do tempo nos personagens.

A história contada sob a ótica do diretor de fotografia Linus Sandgren revela uma trama traduzida para as telas em planos fechados nos personagens e abertos em ambientes externos, aproveitando ao máximo a luz natural. Em alguns momentos, Sandgren utiliza de técnicas de documentário para imprimir o drama e a tensão do roteiro, com uma câmera à mão e sequências tremidas, que ao tornarem-se excessivas, acabam incomodando.

Ryan Gosling e Claire Foy como Neil Armstrong e sua esposa Janet em cena de "O Primeiro Homem" (Divulgação/Universal Pictures)
Ryan Gosling e Claire Foy como Neil Armstrong e sua esposa Janet em cena de “O Primeiro Homem” (Divulgação/Universal Pictures)

Em O Primeiro Homem, Chazelle faz um ótimo trabalho ao levar para tela os elementos de ficção científica em meio a uma trama certamente biográfica, feito este que foi possível através do trabalho conjunto de Justin Hurwitz e Tom Cross, compositor e montador, respectivamente. A transição entre som e silêncio associadas as imagens espaciais, as naves problemáticas e o ambiente claustrofóbico prendem o espectador até o ápice do filme, quando é possível sentir a liberdade, sob o ponto de vista do Neil Armstrong, no momento da primeira pisada na lua até o subir dos créditos finais.

Com o roteiro que foge do didatismo e do sentimentalismo barato, Ryan Gosling interpreta um Armstrong com a maior fidelidade possível, diante do que se conhece do perfil do astronauta, um rapaz charmoso, inteligente, dedicado e um tanto inexpressivo. Já Claire Foy investe sua interpretação como uma boa dose de drama e muitas vezes servindo de contraponto às fraquezas de Armstrong ao viver sua esposa, Janet. Nas 2 horas e 21 minutos de filme, Chazelle também faz uma excelente apresentação dos coadjuvantes, personagens importantes para os passos dados por Armstrong até a sua grande conquista.

Em certo ponto do O Primeiro Homem, é possível que o espectador sinta que a trama tornou-se um tanto cansativa, principalmente por causa da longa duração do filme. Mas neste ponto, talvez seja possível fazer um paralelo a história do próprio protagonista, que se empenhou desde o começo da trama para fazer de tudo aquilo, em suas palavras, “um pequeno passo para o homem, um grande passo para humanidade” e que diante das dificuldades não desistiu até que alcançasse o destino mais importante de sua jornada.

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