Início Críticas Venom | Crítica

Venom | Crítica

Um dos maiores vilões do Homem-Aranha vira protagonista de seu próprio filme solo.

Venom (Divulgação/Sony Pictures)

Com sua origem na edição #300 da HQ Amazing Spider-Man de David Michelinie e Todd McFarlane, o Venom tornou-se um dos vilões mais adorados pelos leitores da Marvel Comics. Seu desembarque nos cinemas aconteceu em 2007 com “Homem-Aranha 3”, dirigido por Sam Raimi, onde sua origem seguiu o tom sombrio do longa. Agora, Venom surge novamente nas telonas com um filme solo estrelado por Tom Hardy. Nas mãos de Ruben Fleischer (“Zombieland”), o cineasta tentará recontar a história, desta vez com todo o protagonismo voltado para o vilão.

No filme, o jornalista Eddie Brock (Tom Hardy) investiga um misterioso cientista suspeito de usar cobaias humanas em experimentos fracassados. O Dr. Carlton Drake (Riz Ahmed), cujas intenções iniciais era achar a cura para o câncer, utiliza do seu pensamento megalomaníaco para buscar algo maior utilizando um simbionte alienígena. Quando Eddie resolve investigar mais a fundo as verdadeiras intenções de Drake, acaba entrando em contato com o simbionte e se tornando o Venom, uma máquina de matar difícil de conter.

Enquanto em “Homem-Aranha 3” o surgimento do vilão acontece em tom bastante dramático, no filme solo do Venom a sua origem é apresentada de forma mais leve. O primeiro ato do filme é um tanto extenso, prolongando-se ao apresentar Eddie Brock e sua relação afetiva Anne Weying (Michelle Williams), seu trabalho e como ele vai do topo ao fundo do poço. Venom chega como um vírus, que ataca o organismo em seu momento de fraqueza e a partir daí o roteiro joga umas pitadas de comédia – a forma com Eddie lida com a presença do Venom em seu corpo é um tanto engraçada, ao mesmo tempo que é dramática.

Apesar de algumas coisas terem ficado de fora, o essencial do filme está ali. O roteiro foi nitidamente desenvolvido para agradar a grande massa, para desespero de um nicho que estará bem atento aos detalhes – muito da história de origem do Venom foi adaptada, embora o essencial tenha sido mantido. Na primeira hora do filme, por exemplo, os fãs mais fervorosos poderão encontrar pelo menos umas cinco referências à origem do simbionte nos quadrinhos.

Tom Hardy interpreta Eddie Brock no filme Venom (Reprodução/Sony Pictures)
Tom Hardy interpreta Eddie Brock no filme Venom (Reprodução/Sony Pictures)

Talvez o maior erro de Venom tenha sido a escolha do elenco coadjuvante. Em tempo, Tom Hardy é uma das melhores coisas do filme, desde a sua entrega ao personagem, a atuação que vai do cômico ao ensandecido e a sua interação com o simbionte são dignas de elogios. Também merece destaque a química entre Eddie Brock e a personagem de Michelle Williams, que é tão intensa e acerta ao fazer com que o espectador deseje que o casal chegue ao fim do filme juntos. Por outro lado, temos Riz Ahmed e Jenny Slate em papéis sofríveis, que nada convencem como cientistas, principalmente o primeiro como o verdadeiro vilão, o Dr. Carlton Drake.

Os efeitos visuais compõem um Venom na medida certa, levando das HQs para a grande tela um organismo viscoso e fluido e que ao mesmo tempo mostra-se pesado a ponto de revelar uma força sobrenatural. A única observação neste ponto fica para os momentos em que o simbionte sai do corpo de Eddie (o mesmo entre Carlton e Riot) para conversar com ele, colocando por água abaixo o capricho visual de grande parte da produção.

Venom cumpre com o papel de tornar o vilão do Homem-Aranha num protagonista, contando sua história origem através da ótima interação entre o personagem de Tom Hardy e o simbionte. Vale lembrar que aqui não temos uma super-produção da Marvel, mas o suficiente para contar uma boa trama que sai dos quadrinhos para os cinemas, com expectativas de trazer, no futuro, outras grandes histórias (e dito isto, não esqueça de ficar até os créditos finais para conferir as duas cenas pós-créditos).

- Publicidade -
Paulo Cavalcante
Paulo Cavalcantehttp://www.cafedeideias.com
Professor, atua na internet há mais de dez anos produzindo conteúdo sobre séries e cinema, aprecia a sétima arte e a dramaturgia para as diferentes telas.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here

Em alta