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A Garota na Névoa | Crítica

Baseado em seu próprio romance homônimo, Donato Carrisi dirige thriller recheado de reviravoltas.

A Garota Na Névoa (Divulgação/A2 Filmes)
A Garota Na Névoa (Divulgação/A2 Filmes)

Em um dia de forte nevoeiro a adolescente Anna Lou (Ekaterina Buscemi) sai de casa em um pequeno e pacato vilarejo nos Alpes italianos e durante o percurso desaparece. Imediatamente o famoso investigador Vogel (Toni Servillo) é chamado para resolver o mistério, que pode ou não tratar-se de um crime. Anna, sua família, e boa parte da cidade fazem parte de uma religião ortodoxa regulada por leis rígidas, das quais a jovem aparentemente é um modelo de obediência. Sem motivos para acreditar em uma fuga e sem pistas para uma investigação concreta, Vogel passa a utilizar todo seu conhecimento e astúcia na manipulação da mídia e da opinião pública a fim de transformar o sumiço da garota em um caso de repercussão nacional.

O envolvimento de Vogel traz à tona seu caso mais recente e controverso, no qual acusou e levou à prisão um homem que mais tarde provou-se ser inocente, o que gera certa desconfiança por parte dos moradores e da força policial do vilarejo com respeito aos métodos do investigador e se ele será capaz de prender o verdadeiro culpado. A trama tecida pelo roteirista e diretor Donato Carrisi, a partir do seu best-seller de mesmo nome, segue diferentes percursos e explora diversos culpados em potencial, do fanatismo religioso, passando pelo clássico personagem stalker, até pitadas de sobrenatural são alguns dos elementos empregados na tentativa de confundir o espectador: desconfie de tudo e de todos, ninguém é quem parece ser.

No geral, o elenco de A Garota na Névoa é correto e funcional, com destaque absoluto para Toni Servillo e Alessio Boni no papel do charmoso e misterioso professor Loris Martini. A fotografia de Federico Masiero – em geral de tons sóbrios – mistura ângulos de câmera clássicos e jogos de luz e sombra com clips do vilarejo em miniatura, em forma de maquete, retratando a passagem dos dias; enquanto a trilha faz uso interessante do clássico “Dança da Solidão” de Paulinho da Viola na voz de Beth Carvalho.

Assim como um livro que precisa de vários capítulos para desenvolver bem uma história, o roteiro, e em especial a estrutura narrativa de A Garota Na Névoa, dão a impressão de que a história funcionaria mais eficientemente como minissérie, uma vez que Carrisi teria tempo suficiente para explorar com calma e a fundo todos os diferentes caminhos pelos quais o filme transita durante suas mais de 2 horas de duração, evitando problemas como pontas soltas, potencial desperdiçado, e personagens mal utilizados. Após vários “quase finais” e do deslocamento do enredo em várias direções, o clímax do filme, quando finalmente chega, perde um pouco sua potência, apesar do payoff valer a pena. Bom filme com ótimas ideias, mais ou menos executadas, que – novamente – como série poderiam ser muito melhor aproveitadas.

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Evie Diane
Evie Diane
Cresceu vendo filmes ao invés de brincar na rua. Fã de ir ao cinema sozinha. Denis Villeneuve, Steve McQueen, Luca Guadagnino, Woody Allen, Christopher Nolan, Olivier Assayas.

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