As Viúvas | Crítica

Steve McQueen faz escolhas complicadas em novo longa com elenco estrelado.

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Evie Diane
Evie Diane
Cresceu vendo filmes ao invés de brincar na rua. Fã de ir ao cinema sozinha. Denis Villeneuve, Steve McQueen, Luca Guadagnino, Woody Allen, Christopher Nolan, Olivier Assayas.

As Viúvas (Reprodução/Fox Film)
As Viúvas (Reprodução/Fox Film)

Em As Viúvas, baseado na série de tv britânica de mesmo nome exibida entre 1983 e 1985, Steve McQueen tem a sua disposição um elenco brilhante. Responsável por dois dos melhores longas da última década, “Shame” e “12 Anos de Escravidão”, a expectativa em torno do seu próximo projeto era grande, uma vez que nada mais poderia ser esperado de um diretor desse calibre além de uma terceira obra-prima. Nesse sentido, o novo longa, roteirizado em parceria com Gillian Flynn (Garota ExemplarObjetos Cortantes) deixa a desejar.

Quando o roubo planejado por Harry Rawlings (Liam Neeson) e sua equipe falha, deixando todos mortos, sua viúva Veronica (Viola Davis), além de lidar com o luto pela perda do marido, começa a receber ameaças de uma gangue rival da qual Rawlings roubou alguns milhões de dólares, comandada por Jamal (Brian Tyree Henry) e seu irmão e braço direito Jatemme (Daniel Kaluuya). Sem ter como conseguir o dinheiro e temendo pela própria vida Veronica decide usar o caderno deixado pelo marido – contendo planos e informações preciosas de um futuro golpe – e, após recrutar as demais viúvas Alice (Elizabeth Debicki) e Linda (Michelle Rodriguez), às quais mais tarde junta-se a cabeleireira Belle (Cynthia Erivo), planejam executar elas mesmas o próximo assalto.

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Paralelo à vida do crime, Jamal encontra-se em plena corrida política em seu bairro na cidade de Chicago, tendo em Jack Mulligan, personagem deColin Farrell, seu maior adversário. Jack, por sua vez, tenta vencer as eleições e continuar o legado da família representado na pessoa antiquada e racista de seu pai Tom Mulligan (Robert Duvall). Ambos os atores entregam performances excelentes em algumas das melhores cenas do filme, e as maquinações políticas de Mulligan se entrelaçam ao enredo dos outros personagens em diferentes níveis, culminando no ato final.

Com exceção de Viola e Debicki (excelente por sinal e presenteada com o arco mais completo) pouco nos é dado/mostrado para que possamos nos conectar com os demais personagens, assim como a “evolução” das viúvas de mulheres comuns a uma equipe quase profissional capaz de cometer um crime de alta complexidade em um espaço de poucas semanas é pouco crível. O roteiro é dissipado em plots secundários e terciários que mais confundem do que trazem complexidade, e o filme, no geral, não consegue unir seus diferentes tons de forma coesa e com fluidez.

Em diversas entrevistas McQueen fez questão de deixar claro que seu novo longa é popcorn – ou popular – e que seu objetivo maior é o de entreter, o que significaria dizer que não tem grandes pretensões além de ser exatamente aquilo que parece ser; ao mesmo tempo que lida com temas importantes e atuais como o racismo, a corrupção política, a violência contra a mulher e o feminismo. O filme existe nesse espaço de dualidade, porém funciona muito melhor quando explora a sério os personagens e os dramas vividos por eles, e menos quando opta por sequências de ação derivativas e “reviravoltas” de novela das oito que nada tem de novo ou interessante a acrescentar. Exceto pelo elenco de primeira classe que entrega ótimas performances, pode-se afirmar que As Viúvas trata-se de um filme menor de um dos melhores diretores dessa geração.

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