Operação Overlord | Crítica

Operação em território francês durante domínio nazista é plano de fundo para o terror gore do filme produzido por J.J. Abrams.

Operação Overlord (Divulgação/Paramount Pictures)
Operação Overlord (Divulgação/Paramount Pictures)

Amplamente divulgado como o quarto filme da franquia “Cloverfield” e depois tendo esta mesma informação negada pelo diretor Julius Avery, Operação Overlord (“Overlord”) chega aos cinemas retratando a operação que antecedeu o Dia D em pleno Terceiro Reich. Neste plano de fundo, adiciona-se experimentos secretos e soldados “zumbis” e o resultado é uma produção que mistura de forma bem convincente a ficção e a realidade.

No filme, Uma tropa de paraquedistas americanos é lançada atrás das linhas inimigas para uma importante missão. Mas, quando se aproximam do alvo, percebem que não é só uma simples operação militar em plena guerra; há muito mais coisas acontecendo naquele lugar, que está dominado pelos nazistas.

Operação Overlord é intenso e assustador ao mesmo tempo que consegue alinhar muito bem a realidade do Terceiro Reich com o gore resultante dos experimentos científicos explorados no filme. Julius Avery consegue construir a empatia sob seus personagens ao mesmo tempo em que lança na tela o clima de terror do domínio nazista, construindo uma atmosfera densa, sombria e um tanto sanguinária. Em certo ponto, a descoberta da existência de experiências científicas ocultas que buscam encontrar um soro para dar longa vida e resistência aos soldados nazista elevam o longa a um novo patamar, onde a realidade se mistura com a ficção e o normal se entrelaça ao gore, ao mesmo tempo que tornam essas associações inseparáveis pelo espectador até o fim do filme. Essa combinação do real com o exagero funciona muito bem a ponto de, em nenhum momento, o filme se perder dentro de seu argumento.

O elenco de Operação Overlord é outro ponto a se destacar, que embora não seja composto de rostos muito conhecidos do público, parece bem envolvido com o roteiro proposto por Billy RayMark L. Smith e em sintonia com eles mesmos. Dado o estado de violência que transborda sangue e miolos estourados por todo o filme, a união entre a francesa Chloe (Mattilde Ollivier) e os guerrilheiros Boyce (Jovan Adepo) e Ford (Wyatt Russell) suavizam o terror e entregam mais humanidade à trama, assim como a presença do pequeno Gianny Taufer como Paul. Já o vilão Wafner, interpretado por Pilou Asbæk, faz o contraponto entre esses dois universos que se encontram nesta produção de J.J. Abrams.

Jovan Adepo como Boyce em "Operação Overlord" (Divulgação/Paramount Pictures)
Jovan Adepo como Boyce em “Operação Overlord” (Divulgação/Paramount Pictures)

Visualmente, Operação Overlord agrada com uma ambientação bem reproduzida e uma fotografia que se mantém autêntica durante todo o filme, adaptando-se as mudanças do roteiro e a chegada de novos detalhes que permitem o andamento da trama. A trilha sonora é envolvente, criando o clima intenso e assustador que se prontifica a proporcionar, intensificando a experiência com uma bem trabalhada mixagem de som.

Apesar dos primeiros trailers que pouco entregavam e que davam a sensação de que Operação Overlord tinha tudo para dar errado, o filme prova em suas quase duas horas de duração que é possível combinar gêneros e subgêneros cinematográficos e fazê-los funcionar. Ao sair do cinema, a sensação que fica é que o longa é um prato cheio pra quem gosta de filmes de ação, guerra e com uma boa pitada de terror (com boas lembranças de filme B).

DEIXE UMA RESPOSTA

Deixe seu comentário
Por favor, digite seu nome aqui