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Aquaman | Crítica

Filme representa a retomada da DC nos cinemas com uma incrível produção sob o comando de James Wan.

Aquaman (Divulgação/Warner Bros.)
Aquaman (Divulgação/Warner Bros.)

O Universo DC há um bom tempo tenta se estabelecer nos cinemas, mas percorre uma linha tênue entre sucessos e fracassos. Filmes de grupo parece não ter sido a praia do estúdio, dado o baixo desempenho de “Esquadrão Suicida” e “Liga da Justiça”, mas os filmes solos tem se tornado um grande acerto, a citar “Mulher Maravilha”. Seguindo essa linha e tentando ajustar o seu universo cinematográfico, a Warner e a DC confiaram ao cineasta James Wan o desenvolvimento do filme solo do Aquaman e a responsabilidade de manter os filmes dos heróis da editora nos trilhos.

No filme, o Aquaman (Jason Momoa) é procurado por Mera (Amber Heard) para assumir o Trono de Atlântida e evitar uma guerra entre os dois mundos – o mar e a superfície. Mais difícil do que convencer Arthur Curry a assumir o lugar que lhe é de direito será convencer o rei Orm (Patrick Wilson) a entregar a coroa. 

Embora Jason Momoa costumeiramente interprete a si mesmo  em seus trabalhos, é nítida a sua entrega a Aquaman, mais do que em sua pequena passagem por “Liga da Justiça”. O desenvolvimento da química entre Arthur e Mera, personagem de Amber Heard, parece ter ficado em segundo plano, mas funciona nos momentos românticos em meios a lutas e fugas. Já Patrick Wilson desenvolve um vilão com motivações pouco convincentes, mas se sai bem pelo seu perfil obstinado, se revelando como a grande pedra no sapato para o Aquaman. 

Jason Momoa e Amber Heard em cena de "Aquaman" (Reprodução/Warner Bros.)
Jason Momoa e Amber Heard em cena de “Aquaman” (Reprodução/Warner Bros.)

Yahya Abdul-Mateen II surge num começo conturbado, mostrando que ele já está do lado mal e desenvolve suas motivações – e o próprio Arraia Negra – tornando-se um segundo vilão com a ajuda de outro. Nicole Kidman representa com sucesso a delicadeza e a força de Atlanna e atua em uma das melhores sequências do filme. E por fim, não poderia esquecer de Willem Dafoe, que traz uma atuação elogiável com o Vulko, que se divide entre os dois lados da briga em prol de um só.

Arraia negra em cena de "Aquaman" (Reprodução/Warner Bros)
Arraia negra em cena de “Aquaman” (Reprodução/Warner Bros)

A direção de arte é um show a parte, com a criação de um universo baseado nos conceitos dos quadrinhos, numa roupagem moderna para os cinemas. O trabalho de um estúdio parceiro da Lucasfilm, que desenvolve “Star Wars”, contribuiu nas cenas mar adentro em que animais aquáticos se misturam e ao mesmo tempo mimetizam meios de transporte.

Vê-se também uma dedicação maior aos efeitos especiais, e muito se deve as críticas aos filmes anteriores lançados pela DC – o CG para retirada do bigode do “Superman” em Liga da Justiça e o visual do Lobo da Estepe no mesmo filme foram absurdamente criticados, o que resultou, por exemplo, num caprichado rejuvenescimento do Willem Dafoe nas cenas em que o Vulko treina o Arthur entre a infância e adolescência.

Nicole Kidman como Atlanna em "Aquaman" (Reprodução/Warner Bros.)
Nicole Kidman como Atlanna em “Aquaman” (Reprodução/Warner Bros.)

Por fim, mas não menos importante, o nome por trás desse projeto grandioso que é Aquaman mostra que entende de cinema. James Wan, que nasceu no terror com franquias de sucesso como “Jogos Mortais” e “Invocação do Mal”, parte para a fantasia e a ação dos filmes de herói e faz um ótimo trabalho. As cenas de lutas são bem captadas, com giros de câmera que lembram as do game “Batman: Arkham Knight”, e coreografadas como os jogos eletrônicos que despontam na preferência do público, aliando duas artes que andam em alta, de forma precisa. O diretor, que também concebeu a ideia original ao lado de Geoff Johns e colaborou com o roteiro de Will BeauDavid Leslie Johnson-McGoldrick, tem alto domínio do tom do filme, sabendo dosar o humor e o terror, a ação e o drama, criando o clima que a trama exige sem ao mesmo tempo imergir numa atmosfera densa.

Assim como Patty Jenkins fez com Gal Gadot em “Mulher-Maravilha”, James Wan fixa Jason Momoa no alto escalão de heróis protagonistas nos cinemas ao criar um personagem desde já memorável e explorar com destreza a união dos dois mundos do universo do Aquaman, fazendo deste o melhor filme de super-herói da DC, até agora. Com margem para uma continuação – vide a cena pós-créditos -, já temos indícios que Warner e DC tem novamente seu universo sob controle e pode trazer mais surpresas pela frente, para os fãs dos super-heróis dos quadrinhos.

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Paulo Cavalcante
Paulo Cavalcantehttp://www.cafedeideias.com
Professor, atua na internet há mais de dez anos produzindo conteúdo sobre séries e cinema, aprecia a sétima arte e a dramaturgia para as diferentes telas.

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