Bumblebee | Crítica

Novo filme da franquia Transformers surpreende e agrada.

Bumblebee (Divulgação/Paramount Pictures)
Bumblebee (Divulgação/Paramount Pictures)

Há algum tempo as sequências da franquia Transformers tem desagradado os fãs e a crítica pelo excesso de cenas de ação frenéticas e mal editadas, abuso de efeitos especiais, roteiros fracos e personagens mal desenvolvidos, trazendo ao diretor Michael Bay uma fama nada agradável. Recentemente, à luz do movimento #metoo, a atriz Megan Fox, estrela dos dois primeiros filmes da série ao lado de Shia LaBeouf, comentou sobre as polêmicas envolvendo Bay e os motivos pelos quais foi demitida da produção. Megan lamentou que na época sua posição com relação aos comportamentos inadequados do diretor e a exploração hiper sexualizada da sua personagem Mikaela não foram levados à sério, acabando por manchar sua imagem e prejudicar sua carreira. Os comentários repercutiram na mídia e nas redes sociais, com o público afirmando que Hollywood a devia desculpas.

Em meio a tudo isso, a ideia de um reboot – ou prequel – da franquia soou estranho aos ouvidos da maioria, pronta para receber o novo longa com o mesmo desgosto do seu antecessor, Transformers 5: O Último Cavaleiro (2017). Mas, surpresa, o que acontece com Bumblebee, nas mãos do diretor e animador Travis Knight (Kubo e as Cordas Mágicas, ParaNorman, Os Boxtrolls) é justamente o contrário: a série ganha vida nova.

Hailee Steinfeld em "Bumblebee" (Divulgação/Paramount Pictures)
Hailee Steinfeld em “Bumblebee” (Divulgação/Paramount Pictures)

O ano é 1987 e a guerra entre Autobots e Decepticons domina Cybertron, seu planeta de origem. Acuado, Optimus Prime decide enviar B-127 para a Terra, a fim de firmar a base da resistência e preparar a chegada do restante do grupo. Seguido por um Decepticon, o Autobot perde a voz – interpretada por Dylan O’Brien (Teen Wolf, Maze Runner) – durante uma luta brutal, e após um primeiro encontro turbulento com o Agente Burns (John Cena), ferido e sem memória, B-127 permanece adormecido como um Fusca amarelo em um ferro-velho de São Francisco, Califórnia.

Decepticons são dublados por Justin Theroux e Angela Bassett (Divulgação/Paramount Pictures)
Decepticons são dublados por Justin Theroux e Angela Bassett (Divulgação/Paramount Pictures)

É lá que Charlie Watson, interpretada pela talentosa Hailee Steinfeld (Quase 18, Bravura Indômita) o encontra. Charlie enfrenta seus próprios problemas: a morte recente do pai a deixou sem chão, vulnerável e cheia de uma angústia que ela não sabe como expressar para o resto da família. Solitária, a garota usa os conhecimentos em mecânica aprendidos com pai para ajudar B-127, prontamente apelidando-o de Bumblebee e criando com ele um forte laço de amizade. As comparações com E.T. – O Extraterrestre são muitas, o que no caso de um filme da franquia Transformers deve ser considerado como um elogio. Juntos eles enfrentarão Dropkick e Shatter, dois novos Decepticons com habilidade de assumir a forma tanto de veículos terrestres quanto aéreos, com as vozes de Justin Theroux e Angela Bassett, respectivamente.

Anos luz do cinismo e dos exageros que tomaram conta da série após o original, o longa foca em construir e explorar conexões emocionais entre seus personagens. O roteiro de Christina Hodson (Refém do Medo, Paixão Obsessiva) funciona em sua maior parte, ajudado pela ótima química entre Charlie e Bumblebee, e embora tenha defeitos (seja de continuação, seja de alguns dos momentos cômicos que não funcionam, seja a atuação de Cena que deixa a desejar), o filme é contido e modesto, sem pretensões de grandeza absurdas, e consegue aquilo ao que se propõe: ser um blockbuster agradável e divertido embalado por clássicos dos anos 80, com momentos de emoção genuína, além de boas sequências de ação.

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