Um Homem Comum | Crítica

Ben Kingsley é um ex-general atormentado pelos fantasmas do passado.

Um Homem Comum (Divulgação/Mares Filmes)
Um Homem Comum (Divulgação/Mares Filmes)

Na antiga Iugoslávia, um ex-general interpretado por Ben Kingsley (Operação FinalHomem de Ferro 3) é perseguido mundialmente por crimes de guerra, e tenta levar uma vida normal enquanto é obrigado a se esconder e mudar constantemente de endereço para fugir das autoridades internacionais. Ao ser transportado para um novo endereço surge em sua vida a figura de Tanja, interpretada por Hera Hilmarsdóttir (Os Demônios de Da Vinci). Acostumada a prestar serviços de diarista à antiga moradora do apartamento, a jovem se depara com o famoso general, sendo forçada a servi-lo.

O que começa como uma relação baseada em medo aos poucos se transforma em amizade disfuncional, uma vez que ambos percebem que tem muito mais em comum do que se poderia imaginar à primeira vista, especialmente quando Tanja é obrigada a revelar alguns dos seus próprios segredos. O ex-general, solitário, encontra na jovem a possibilidade de companhia, enquanto essa demonstra óbvio interesse pela misteriosa figura histórica à sua frente. Escrito e dirigido por Brad Silberling (Cidade dos AnjosDesventuras em Série) e produzido em parceria com o próprio Ben Kingsley, o filme explora um homem complexo que tenta se acostumar à uma nova realidade, não só da sua própria situação como especialmente do país e da sociedade à sua volta.

Baseado na história real de Ratko Mladić, criminoso de guerra sentenciado à prisão perpétua em 2017, o foco principal do longa de Silberling é humanizar a figura do ex-general que cometeu inúmeros crimes e assassinou milhares de pessoas. Para isso, somos apresentados à fatos do seu passado e tragédias familiares, assim como a nítida sensação de que o próprio já não tem mais tanta convicção do propósito dos atos de violência que cometeu. A personagem de Tanja, sobre a qual o ex-general projeta lembranças da própria filha, serve como demonstração da sua capacidade de amar e sentir empatia, embora sejamos constantemente lembrados – mesmo nos momentos mais leves e sutis – do terror que o cerca e das consequências das suas ações.

Ben Kingsley como sempre entrega uma ótima performance, explorando as diferentes nuances de um homem cansado e atormentado por décadas de conflito que tenta manter a imagem do general ainda forte e em controle, embora muitas de suas ações revelem uma atitude contraditória: ao mesmo tempo que esbanja autoconfiança, com a certeza que nunca será capturado, corre riscos desnecessários e coloca-se em situações de perigo constante, quase como se no fundo desejasse aquilo que mais teme. Com o apoio de alguns poucos aliados restantes – incluindo o sempre ótimo Peter Serafinowicz – e sofrendo de um sério problema no coração, o ex-general leva o que resta de sua vida como um fantasma, assombrado pelo peso das suas próprias escolhas.

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