A Nossa Espera | Crítica

Longa de Guillaume Senez traça retrato humano de um drama familiar.

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Evie Diane
Evie Diane
Cresceu vendo filmes ao invés de brincar na rua. Fã de ir ao cinema sozinha. Denis Villeneuve, Steve McQueen, Luca Guadagnino, Woody Allen, Christopher Nolan, Olivier Assayas.

Olivier (Romain Duris) é marido, pai de dois filhos, empregado dedicado e preocupado com seus subordinados – que considera primeiramente como amigos. Não pensa duas vezes antes de defendê-los com unhas e dentes contra a tirania da chefia e luta constantemente pelos seus direitos e por melhores condições. Sua esposa Laura (Lucie Debay) é vendedora em uma pequena loja, e a família leva uma vida apertada porém aparentemente feliz.

Além do trabalho puxado em sistema de turnos em uma grande distribuidora, Olivier é também ávido participante do sindicato que representa os trabalhadores, o que toma a maior parte das horas do seu dia. Devido à dedicação quase que completa ao emprego, não sobra a ele tempo para ficar em casa e cuidar da família, tarefa relegada à esposa, que demonstra sinais de exaustão, mas que trata dos filhos com muito carinho e atenção. A condição de saúde de Laura não é explicitamente revelada, mas somos levados a entender que a mesma sofre de algum distúrbio psicológico.

Durante uma visita médica, descobrimos que o filho mais velho de cerca de 10 anos está se recuperando de uma grave queimadura no peito causada por um acidente com uma panela de água quente envolvendo a mãe. “Não foi culpa dela”, comenta o menino, o que leva a crer que a suspeita já foi levantada. Após algumas crises de choro inexplicadas, desmaios e remédios, Olivier é obrigado a buscar as crianças na escola porque a mãe não apareceu. Ao chegar em casa, percebe que as roupas e pertences da mulher desapareceram. Preocupado, procura a polícia, apenas para ouvir aquilo que já temia: ele e os filhos foram abandonados.

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O que se segue é a complicada adaptação de Olivier ao papel de pai responsável, que precisa aprender a conhecer e cuidar dos próprios filhos, mudar sua rotina e pensar na família em primeiro lugar, enquanto sofre com as más condições e exploração no local de trabalho. Duris interpreta bem ambas as facetas do seu personagem, empregando doses certas de drama, vulnerabilidade e realismo. Apesar de focar no desenvolvimento do pai, o filme também explora as consequências emocionais que o abandono causa nas crianças, especialmente na mais nova, que volta a molhar a cama e fica períodos sem falar. É interessante notar como as mulheres no longa – notadamente a mãe e a irmã de Oliver –  parecem compreender e admitem até mesmo compartilhar da decisão de Laura de abandonar o lar, questionando as expectativas absurdas e o peso colocados sobre elas pela sociedade e pelas próprias famílias.

A Nossa Espera (“Nos Batailles”, França/Bélgica) é um filme sobre recomeços e reconexões, escolhas difíceis, aprendizados e superação. O diretor Guillaume Senez (Keeper) tendo co-escrito o roteiro com Raphaëlle Desplechin, traça um retrato humano de uma situação dramática sem apontar dedos ou fazer discursos desnecessários. Seus personagens são igualmente falhos e compartilham das mesmas culpas nesse enredo que é ao mesmo tempo simples e complexo, com enfoque nas pequenas e grandes batalhas do dia a dia.

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