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Duas Rainhas | Crítica

Saoirse Ronan e Margot Robbie brilham em longa histórico de Josie Rourke.

Duas Rainhas (Divulgação/Universal Pictures)
Duas Rainhas (Divulgação/Universal Pictures)

Em Duas Rainhas, a vida de Elizabeth I (Margot Robbie) – minuciosamente retratada nos filmes Elizabeth (1998) e Elizabeth: A Era de Ouro (2007) – dá lugar a história de Mary Stuart, ou como é conhecida, Mary Rainha da Escócia, interpretada por Saoirse Ronan. Após a morte do marido Francis II, rei da França, ao qual foi prometida em casamento ainda criança, Mary retorna a Edimburgo, e apesar das primeiras tentativas amigáveis de conciliação com sua prima Elizabeth, rapidamente seu propósito torna-se claro: reivindicar o trono da Inglaterra, seu por direito.

Católica, Mary terá que enfrentar diversos opositores, desde o movimento Protestante Escocês, que se recusa a aceitar uma rainha que possui fortes laços com Roma e não apresenta o padrão de comportamento que é esperado, assim como os lordes e aristocratas ingleses, também protestantes, que a vêem como uma perigosa usurpadora. Mas nenhum dos pecados de Mary parece ser mais incômodo ou mais óbvio do que o seu gênero. Em uma sociedade largamente dominada por homens, Mary encontra-se em uma das posições de maior poder e influência no Reino Unido, o que causa desconfiança e inveja por parte da corte. Elizabeth sofre do mesmo problema, porém em menor escala, devido à deferência que sua coroa ainda inspira.

O filme, dirigido por Josie Rourke (The Vote) com roteiro de Beau Willimon e baseado no livro “A Verdadeira História de Mary Rainha da Escócia”escrito por John Guy, mostra uma Mary decidida e um tanto quanto teimosa, tão certa de seus direitos e da sua posição que acaba por tomar decisões precipitadas, sem antes pensar nas repercussões em maior escala. Um traço de personalidade que é comumente relacionado às mulheres, e que no caso de um personagem histórico ou fictício masculino seria considerado como força e não fraqueza.

Margot Robbie em Duas Rainhas (Divulgação/Universal Pictures)Duas Rainhas (Divulgação/Universal Pictures)
Margot Robbie em Duas Rainhas (Divulgação/Universal Pictures)

Durante um pouco mais de duas horas de duração somos apresentados às consequências dessas decisões, ao jogo político entre Inglaterra e Escócia e ao relacionamento conturbado entre Mary e Elizabeth, o que culmina com a deposição e prisão da primeira.

Duas Rainhas consegue o equilíbrio entre ser uma biografia de época, tomadas as devidas liberdades, tirando proveito das paisagens do interior e do litoral da Escócia, com boa direção de arte e lindos figurinos, pelos quais foi indicado ao Oscar desse ano, juntamente com Melhor Maquiagem. O forte do longa, porém, está na forma como retrata suas personagens principais, dando a Saoirse e a Robbie espaço para entregarem ótimas performances. O filme conta um grande elenco, no qual se destacam Jack Lowden no papel do charmoso Robert Dudley, segundo marido de Mary,Guy PearceDavid Tennant e Joe Alwyn.

Apesar de tratar de fatos históricos ocorridos no longínquo século 16, a trágica história da ascensão e queda de Mary Stuart e sua conturbada relação com Elizabeth I continuam extremamente relevantes na atualidade, especialmente quando pensamos nas dificuldades ainda enfrentadas pelas mulheres em geral, que continuam a ser tratadas com inferioridade pela maioria dos homens e vistas como incapazes de governar ou assumir quaisquer posições de poder. Para os que conhecem a história, o final de Duas Rainhas não é nenhuma surpresa, para os que não são familiarizados, é uma rara oportunidade de conhecer em detalhes a história de uma mulher que marcou história e sacrificou-se pelo que acreditava.

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Evie Diane
Evie Diane
Cresceu vendo filmes ao invés de brincar na rua. Fã de ir ao cinema sozinha. Denis Villeneuve, Steve McQueen, Luca Guadagnino, Woody Allen, Christopher Nolan, Olivier Assayas.

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