Brightburn – Filho das Trevas | Crítica

Brightburn - Filho das Trevas (Foto: Divulgação)
Brightburn – Filho das Trevas (Foto: Divulgação)

Um casal amável, sem filhos, morando em uma fazenda isolada, testemunha a queda do que parece ser um meteoro. Ao investigar o local, descobrem um estranho objeto que parece ter vindo de outro planeta, e nele, um bebê sozinho e indefeso. O casal adota a criança secretamente e o cria com todo o amor e carinho. Com o tempo, porém, o garoto começa a exibir sinais estranhos como rapidez e força sobrenaturais. Confuso, ele descobre escondida no celeiro da fazenda a nave espacial que o trouxe à terra e seus pais são obrigados a lhe contar toda a verdade.

Soa familiar? Algum herói de capa vermelha vem à mente? Não se engane. O personagem em questão não é Clark Kent/Super Homem e sim Brandon Breyer/Brightburn. O longa dirigido por David Yarovesky com roteiro de Brian e Mark Gunn e produzido por James Gunn não tenta esconder as referências à história do Homem de Aço, ao contrário: se apropria delas e cria seu próprio herói, apenas acrescentando elementos de terror e substituindo o carismático e bem intencionado Clark por um adolescente sociopata com instintos malignos.

Em lugar do povo evoluído de Krypton, Brandon aparentemente descende de uma raça de seres sobrenaturais que o enviou à terra para matar, dominar e destruir. No começo do longa, Brandon é “possuído” pela força do mal que sobreviveu em sua nave e que lhe dá instruções. Esse ser nunca é visto ou nomeado, mas apenas representado por uma forte luz vermelha e uma voz sobrenatural em uma língua desconhecida. O filme não deixa claro se Brandon está apenas seguindo as ordens dessa entidade ou se ela apenas despertou algo que já existia nele desde o nascimento e que estava adormecido.

O motivo das coisas realmente não parece ser o forte do longa, e sim mostrar a ameaça da existência de um adolescente volúvel e masoquista com super poderes suficientes para destruir uma cidade inteira em poucas horas. A falta de um embasamento mais consistente e de informações complementares, entretanto, transforma Brightburn em uma experiência rasa. Elizabeth Banks e David Denman interpretam os pais de Brandon, que ficam chocados a cada nova demonstração do que o garoto é fisicamente capaz de fazer, como se esquecessem que ele é literalmente um alienígena.

“Uma ideia só não faz verão” é a melhor forma de descrever o longa. Os elementos que Gunn emprestou à Guardiões da Galáxia e que transformaram os filmes em grandes sucessos faz muita falta em Brightburn, cujo principal problema está na execução, e não exatamente na premissa a partir da qual foi idealizado. Ao invés de investir em um desenvolvimento crescente do personagem, o roteiro trabalha em círculos, do horror, de volta à vida normal, quebrando a tensão exatamente nos momentos onde deveria aumentá-la gradualmente. Nem o terror, nem os elementos de ficção, o drama ou as fracas tentativas de humor são potentes o suficiente para trazer o filme à vida ou fazer dele ao menos um entretenimento acima da média.

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