Rocketman | Crítica

Homenagem à altura de um dos maiores ícones pop de todos os tempos.

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Evie Diane
Evie Diane
Cresceu vendo filmes ao invés de brincar na rua. Fã de ir ao cinema sozinha. Denis Villeneuve, Steve McQueen, Luca Guadagnino, Woody Allen, Christopher Nolan, Olivier Assayas.

Bryce Dallas Howard, Richard Madden e Taron Egerton em Rocketman (Divulgação/Paramount Pictures)Sir Elton John definitivamente não é uma personalidade fácil de se resumir, ou classificar. Sua vida, desde a infância, foi uma coleção de drásticos altos e baixos, culminando em uma espécie de contos de fadas moderno. Mas o caminho percorrido até lá, a história real de inseguranças, medos, abandono, vícios, abusos e glórias que antecedem toda a fantasia, é mais interessante, envolvente e possui um final mais satisfatório do que o destino de qualquer príncipe – ou princesa. A nova biografia dirigida por Dexter Fletcher recebeu aplausos de pé no Festival de Cannes, reação muito fácil de entender uma vez que se tem a oportunidade de assisti-la.

Rocketman, que devido à natureza do seu personagem principal também trata-se de um musical, é tudo que se pode pedir de um filme do gênero: conta a história de forma emocionante, detalhada e verdadeira, sem fugir dos momentos menos glamourosos, e ao mesmo tempo, sem transformar o artista em mártir ou vítima, mas em sobrevivente e mais tarde, em vencedor. Devido à uma infância difícil protagonizada por um pai ausente e incapaz de demonstrar qualquer afeto e uma mãe mais preocupada com ela mesma do que com o filho, Elton – nascido Reginald Dwight e interpretado por Taron Egerton – precisou enfrentar as consequências de ser um adulto ansioso e de baixa autoestima. Como forma expressão, Elton desde cedo pôde contar com piano, instrumento que aprendeu a tocar sozinho acompanhando músicas de ouvido. Durante a juventude, depois de tocar em diversas bandas, decidiu partir em carreira solo, como músico, cantor e compositor. As letras, entretanto, não eram tanto o seu forte. Foi assim que conheceu o letrista Bernie Taupin (Jamie Bell), que viria a se tornar seu amigo inseparável por mais de 50 anos.

A dupla permaneceu unida desde o primeiro grande sucesso, e as colaborações de Bernie são inegáveis, porém são nos momentos mais extremos – sejam tristes ou alegres – onde Jamie consegue transmitir toda a delicadeza e sinceridade abundantes de Taupin, fazendo um contraponto gritante com os demais personagens do universo de Elton. Com a fama e o dinheiro, vieram também as festas, drogas e os amores – ou assim ele pensava. O diretor seguiu as recomendações do próprio Elton, que, como co-produtor, não abriu mão que todos os aspectos de sua vida fossem mostrados sem pudores, incluindo a cena na qual perde a virgindade com o ex-empresário e amante John Reid, interpretado por Richard Madden (Game of Thrones). O relacionamento dos dois rapidamente torna-se tóxico, e Elton passa a sofrer abusos tanto físicos quanto morais.

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Rocketman (Divulgação/Paramount Pictures)
Rocketman (Divulgação/Paramount Pictures)

Bohemian Rhapsody”, que conta a história da banda Queen, tem muito o que aprender com o longa de Fletcher. O filme foi bastante criticado pela comunidade lgbtq por ter tentado diminuir, ou colocar em segundo plano, a homossexualidade do vocalista Freddie Mercury. Rocketman, ao contrário, não se acanha perante as expressões mais extravagantes e exuberantes da pessoa de Elton, seja nos figurinos e números musicais, ou pela atuação certeira de Egerton. É nítida a paixão e o comprometimento que o ator trouxe na hora de filmar o longa: sua ótima atuação e bela voz são gratas surpresas que ajudam a alavancar ainda mais um filme que já se encontra nas alturas.

Com respeito, carinho e dignidade, o longa presta uma belíssima homenagem à um dos maiores artistas da música, e pode facilmente levar Taron Egerton à nomeação de Melhor Ator, além de competir por diversos outros prêmios. Rocketman estreia nos cinemas no dia 30 de maio.

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