Annabelle 3: De Volta Para Casa | Crítica

Diretor Gary Dauberman traz mais leveza ao novo filme e o resultado é acertado.

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Evie Diane
Evie Diane
Cresceu vendo filmes ao invés de brincar na rua. Fã de ir ao cinema sozinha. Denis Villeneuve, Steve McQueen, Luca Guadagnino, Woody Allen, Christopher Nolan, Olivier Assayas.

Annabelle 3 (Divulgação/Warner Bros.)
Annabelle 3: De Volta Para Casa (Divulgação/Warner Bros.)

Nos últimos anos Hollywood tem sofrido de uma febre incansável de adaptações, derivados, prequels, sequels e demais. Às vezes parece que o poço de novas ideias realmente secou e ficaremos restritos a reciclar as mesmas estórias por tempo indeterminado. Entretanto, sempre existe uma luz no fim do túnel. Quando um desses projetos é bem executado, faz boas escolhas e traz algo que o diferencia dos demais, a esperança do público é renovada. Surpreendentemente esse é o caso de Annabelle 3: De Volta Para Casa, escrito e dirigido por Gary Dauberman, que desde sempre esteve envolvido com a franquia “Invocação do Mal“, universo do qual o filme é derivado.

O longa começa com uma explicação do casal Warren, Lorraine e Ed (Vera Farmiga e Patrick Wilson, respectivamente) sobre quem é realmente Annabelle e o motivo pelo qual ela deve de agora em diante permanecer trancada ao invés de ser simplesmente destruída. Os Warren a levam então até a sua casa, onde a filha Judy (McKenna Grace) os aguarda, e com a ajuda de um padre colocam a boneca em um armário de vidro e a deixam trancada em um aposento especial, cercada por dezenas de outros objetos amaldiçoados. Pode não parecer uma boa ideia, porém o arranjo funciona perfeitamente por um ano, e tudo parece estar bem, até que o casal viaja durante o fim de semana e deixa a filha aos cuidados da adolescente Mary Ellen (Madison Iseman). O que eles não contavam era que a melhor amiga de Mary, Daniela (Katie Sarife) tem um interesse todo especial no sobrenatural e por engano acabada libertando a boneca.

Vera Farmiga e Patrick Wilson em Annabelle 3: De Volta Para Casa (Divulgação/Warner Bros.)

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A partir daí, coisas estranhas começam a acontecer dentro e em volta da casa, e as garotas terão de lidar com toda a sorte de entidades do mal, incluindo os novos personagens, A Noiva e O Barqueiro. Sobre esses últimos, é quase certo que acabarão em filmes solo em um futuro não muito distante. Partindo dessa premissa, pode-se dizer que Annabelle 3 parece ser mais do mesmo – mas não é. Os primeiros dois atos do longa de Dauberman são mais parecidos com um filme de terror da década de 90 do que algo produzido em 2019. Isso significa dizer que os seus personagens são construídos de forma genuína, e que há momentos de comédia – que realmente funcionam – e fazem do longa algo mais tridimensional do que poderia ser esperado.

O trio de protagonistas não são apenas vítimas vazias: elas tem vidas, interesses e problemas emocionais que o público passa a conhecer – e assim, se importar. A produção dá aos momentos de amizade e confidência entre elas a mesma importância que dá às sequências de ação e às aparições de fantasmas e demônios. Poupar o espectador dos excessos – pecado cometido por 9 de cada 10 longas do gênero – e focar em seus pontos fortes, acaba se mostrando a decisão mais acertada. Alguns detalhes, como o fato de que a ação se passa quase que completamente dentro da casa, o que às vezes pode ser limitador e repetitivo, e algumas cenas que se prolongam demais e deveriam ter sido cortadas pela metade, talvez se devam à falta de maturidade de Dauberman na direção. Apesar disso, e dos clichês inerentes à esse tipo de filme, Annabelle 3: De Volta Para Casa é uma boa experiência, e pode ser conferido nos cinemas a partir dessa quinta, dia 27 de junho de 1019.
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