X-Men: Fênix Negra | Crítica

Após quase 20 anos, a franquia se despede rumo à novos horizontes.

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Evie Diane
Evie Diane
Cresceu vendo filmes ao invés de brincar na rua. Fã de ir ao cinema sozinha. Denis Villeneuve, Steve McQueen, Luca Guadagnino, Woody Allen, Christopher Nolan, Olivier Assayas.

Sophie Turner é Jean Grey em X-Men: Fênix Negra (Divulgação/Fox Film)
Sophie Turner é Jean Grey em X-Men: Fênix Negra (Divulgação/Fox Film)

O que pode ser mais perigoso do que um inimigo que toma a forma de um parente ou amigo amado? Esse é um dos dilemas de X-Men: Fênix Negra, último capítulo da franquia de sucesso da Fox que está de malas prontas rumo à Disney/Marvel. O longa dirigido por Simon Kinberg, também responsável por “Deadpool”, explora, entre outros temas, as consequências de um acidente sofrido por Jean Grey, interpretada por Sophie Turner (Game of Thrones), que a transformou no ser mais poderoso no planeta. Durante uma missão no espaço para salvar um grupo de astronautas, a equipe dos X-Men, como sempre liderada por Charles Xavier (James McAvoy) e tendo Mística (Jennifer Lawrence) logo abaixo na hierarquia, encontra uma força sobrenatural que se manifesta como uma enorme explosão solar, e ao tentar salvar a todos, Jean recebe toda a potência do fenômeno, absorvendo-o.

O acidente provoca o aumento dos seus poderes em nível abismal, assim como uma transformação drástica em seu comportamento, com mudanças de humor repentinas. Sua falta de controle coloca a todos em perigo, inclusive ferindo gravemente um membro da própria equipe, e agora Charles, Scott (Tye Sheridan), Fera (Nicholas Hoult), Mercúrio (Evans Peters), Tempestade (Alexandra Shipp) e Noturno (Kodi Smit-McPhee) precisarão lutar para proteger a todos e a própria Jean dela mesma. O enredo se assemelha ao de “X-Men: O Confronto Final”, embora dessa vez Magneto não esteja interessado em explorar esses poderes recém-adquiridos em sua eterna campanha contra os humanos e a favor dos mutantes.

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X-Men: Fênix Negra (Reprodução/Fox Film)
X-Men: Fênix Negra (Reprodução/Fox Film)

A visão de Jean no ápice dos seus poderes é ao mesmo tempo linda e aterrorizante, e Sophie Turner consegue trazer profundidade ao debate emocional interno da personagem e suas dúvidas sobre o que fazer com os poderes que ameaçam consumí-la. De um lado, Charles – em uma versão diferente da que estamos acostumados, mais leviano e autoritário – tenta contê-la como sempre fez, bloqueando partes de sua memória que podem desestabilizá-la, ao mesmo tempo que esconde tristes segredos sobre o seu passado; do outro, a misteriosa personagem de Jessica Chastain faz de tudo para convencê-la de que ela deve abraçar essa nova força, entregando-se a ela por completo.

X-Men: Fênix Negra (Divulgação/Fox Film)
X-Men: Fênix Negra (Divulgação/Fox Film)

O filme faz uma reflexão interessante sobre o papel de Xavier como líder dos X-Men, e coloca seus motivos em xeque. Deslumbrado com os sorrisos, apertos de mão e homenagens por parte dos humanos que agora lhes são gratos – o que para ele é uma grande novidade -, o professor demora a enxergar que há algo de errado com a maneira como tem feito uso de sua posição e das habilidades de seus estudantes. Já Erik (Michael Fassbender) parece ter finalmente compreendido que a violência e um sem número de mortes sem sentido não o levarão a lugar nenhum. Cabe à Jean encontrar por si mesma a resposta de que caminho tomar e o que fazer com seus novos poderes.

É possível tecer uma série de comentários sobre a franquia X-Men ao longo desses quase 20 anos, sejam positivos ou negativos, mas sua importância para a história do cinema e da cultura pop nunca poderá ser subestimada, assim como seus personagens icônicos. Seja com Sir Patrick Stewart, Ian Mckellen e Hugh Jackman, seja com McAvoy e Fassbender, a série refletiu talentos e amizades mais do que sinceras nas telonas, que entreteram e emocionaram o público. Com a mudança de casa, podemos esperar novos reboots e novas histórias, mas “X-Men: Fênix Negra” fecha – se não com chave de ouro – ao menos de forma satisfatória esse capítulo da saga.

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