X-Men: Fênix Negra | Crítica

Após quase 20 anos, a franquia se despede rumo à novos horizontes.

Sophie Turner é Jean Grey em X-Men: Fênix Negra (Divulgação/Fox Film)
Sophie Turner é Jean Grey em X-Men: Fênix Negra (Divulgação/Fox Film)

O que pode ser mais perigoso do que um inimigo que toma a forma de um parente ou amigo amado? Esse é um dos dilemas de X-Men: Fênix Negra, último capítulo da franquia de sucesso da Fox que está de malas prontas rumo à Disney/Marvel. O longa dirigido por Simon Kinberg, também responsável por “Deadpool”, explora, entre outros temas, as consequências de um acidente sofrido por Jean Grey, interpretada por Sophie Turner (Game of Thrones), que a transformou no ser mais poderoso no planeta. Durante uma missão no espaço para salvar um grupo de astronautas, a equipe dos X-Men, como sempre liderada por Charles Xavier (James McAvoy) e tendo Mística (Jennifer Lawrence) logo abaixo na hierarquia, encontra uma força sobrenatural que se manifesta como uma enorme explosão solar, e ao tentar salvar a todos, Jean recebe toda a potência do fenômeno, absorvendo-o.

O acidente provoca o aumento dos seus poderes em nível abismal, assim como uma transformação drástica em seu comportamento, com mudanças de humor repentinas. Sua falta de controle coloca a todos em perigo, inclusive ferindo gravemente um membro da própria equipe, e agora Charles, Scott (Tye Sheridan), Fera (Nicholas Hoult), Mercúrio (Evans Peters), Tempestade (Alexandra Shipp) e Noturno (Kodi Smit-McPhee) precisarão lutar para proteger a todos e a própria Jean dela mesma. O enredo se assemelha ao de “X-Men: O Confronto Final”, embora dessa vez Magneto não esteja interessado em explorar esses poderes recém-adquiridos em sua eterna campanha contra os humanos e a favor dos mutantes.

X-Men: Fênix Negra (Reprodução/Fox Film)
X-Men: Fênix Negra (Reprodução/Fox Film)

A visão de Jean no ápice dos seus poderes é ao mesmo tempo linda e aterrorizante, e Sophie Turner consegue trazer profundidade ao debate emocional interno da personagem e suas dúvidas sobre o que fazer com os poderes que ameaçam consumí-la. De um lado, Charles – em uma versão diferente da que estamos acostumados, mais leviano e autoritário – tenta contê-la como sempre fez, bloqueando partes de sua memória que podem desestabilizá-la, ao mesmo tempo que esconde tristes segredos sobre o seu passado; do outro, a misteriosa personagem de Jessica Chastain faz de tudo para convencê-la de que ela deve abraçar essa nova força, entregando-se a ela por completo.

X-Men: Fênix Negra (Divulgação/Fox Film)
X-Men: Fênix Negra (Divulgação/Fox Film)

O filme faz uma reflexão interessante sobre o papel de Xavier como líder dos X-Men, e coloca seus motivos em xeque. Deslumbrado com os sorrisos, apertos de mão e homenagens por parte dos humanos que agora lhes são gratos – o que para ele é uma grande novidade -, o professor demora a enxergar que há algo de errado com a maneira como tem feito uso de sua posição e das habilidades de seus estudantes. Já Erik (Michael Fassbender) parece ter finalmente compreendido que a violência e um sem número de mortes sem sentido não o levarão a lugar nenhum. Cabe à Jean encontrar por si mesma a resposta de que caminho tomar e o que fazer com seus novos poderes.

É possível tecer uma série de comentários sobre a franquia X-Men ao longo desses quase 20 anos, sejam positivos ou negativos, mas sua importância para a história do cinema e da cultura pop nunca poderá ser subestimada, assim como seus personagens icônicos. Seja com Sir Patrick Stewart, Ian Mckellen e Hugh Jackman, seja com McAvoy e Fassbender, a série refletiu talentos e amizades mais do que sinceras nas telonas, que entreteram e emocionaram o público. Com a mudança de casa, podemos esperar novos reboots e novas histórias, mas “X-Men: Fênix Negra” fecha – se não com chave de ouro – ao menos de forma satisfatória esse capítulo da saga.

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