Era Uma Vez em… Hollywood | Crítica

Quentin Tarantino entrega um divertido estudo sobre uma era perdida da indústria do entretenimento.

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Evie Diane
Evie Diane
Cresceu vendo filmes ao invés de brincar na rua. Fã de ir ao cinema sozinha. Denis Villeneuve, Steve McQueen, Luca Guadagnino, Woody Allen, Christopher Nolan, Olivier Assayas.

Era Uma Vez em... Hollywood (Foto: Divulgação/Sony Pictures)
Era Uma Vez em… Hollywood (Foto: Divulgação/Sony Pictures)

Era Uma Vez em… Hollywood, o novo filme de Tarantino, é bem peculiar. Consegue ser ao mesmo tempo algo novo – em meio a avalanche incansável de sequências, reboots e remakes – e uma reconstrução fidedigna de algo que já existiu: o fim da era de ouro de Hollywood, mais precisamente no ano de 1969, quando o cinema e a televisão caminhavam em passos largos para outra direção.

Nadando contra a corrente está o ator Rick Dalton, personagem de Leonardo DiCaprio. A perda gradual do seu status de protagonista e do tipo de filmes e séries de tv que construíram sua carreira o levaram ao alcoolismo e à um início de depressão. Acompanhando tudo de perto mais infinitamente menos preocupado se encontra seu dublê e fiel amigo Cliff Booth, vivido por Brad Pitt. A dupla inseparável dirige pelas ruas de Los Angeles entre a mansão de Dalton e os sets de filmagem. No fim do dia, Cliff retorna à sua existência simples morando em um trailer caindo aos pedaços na companhia da sua doce pitbull de estimação.

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O contraste entre os dois é gritante: enquanto Rick perde o sono pensando no futuro e temendo estar a cada dia mais obsoleto, Booth vive um dia após o outro, com um sorriso no rosto e uma cerveja na mão. Paralelamente, a novata Sharon Tate (Margot Robbie) está começando seu caminho até o estrelato, recém casada com o diretor Roman Polanski. Não espere o sangue e a violência típicos de Tarantino – ao menos não tão intensamente – nesse filme. O longa, visualmente irretocável, é um estudo contemplativo de uma indústria que Quentin conhece como a palma da mão, e de uma época obviamente querida por ele e à qual quis prestar homenagem.

Margot Robbie em cena de Era Uma Vez em Hollywood (Foto: Reprodução/Sony Pictures)
Margot Robbie em cena de Era Uma Vez em Hollywood (Foto: Reprodução/Sony Pictures)

O ritmo é lento e o enredo não vai muito além do que já foi apresentado, exceto pelas surpresas no último ato. A escolha de DiCaprio e Pitt foi mais do que certeira, uma vez que além das ótimas atuações, é um prazer vê-los na telona – separadamente e mais ainda juntos – mesmo que apenas para jogar conversa fora. Mas não se engane: um filme de Quentin, qualquer que seja, muito provavelmente será melhor do que qualquer outra coisa simultaneamente em cartaz, e com “Era uma Vez em… Hollywood” não é diferente. O nível de indulgência apresentado aqui pode ser, talvez, perdoado depois de tantos anos e de um currículo do nível de poucos.

Em suma, “Era Uma Vez em… Hollywood” é um mergulho engraçado e nostálgico em um período da indústria há muito ultrapassado, onde filmes e séries tinham primeiramente o papel de entreter e não eram levados tão a sério. Tarantino claramente chegou ao ponto no qual não têm nada a provar e simplesmente convida o público a partilhar um pouco da sua fascinação por esse mundo, mas não parece muito preocupado se iremos aproveitar ou não, porque ele, esse sim já se divertiu por todos nós com a sua produção.

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1 COMENTÁRIO

  1. Bem, o que mais me cativou – e realmente clamou pela minha atenção no filme – foi a visão da gente “de bem” interpretada pelos dois amigos e da gente “riponga” interpretada pelos hippies, neste desfilar de histórias entremeadas – algumas verídicas e outras ficcionais – do genial diretor. O ator desiludido com sua trajetória incendeia uma atacante do grupo de Manson quase sem querer e o aparentemente tranquilo amigo em realidade é atroz em sua violência e oposição massacrante a tudo aquilo que ele vê como confronto. Portanto, há uma enorme crítica nada velada a tudo que é hollywoodiano e rico – o dito mundo dos bons – e a tudo que é contra o sistema e pobre (o mundo hippie de 1969). Na violência final confrontada, recontando a história da família do Rancho Spahn, Sharon Tate acaba revivida e Dalton sente-se melhor como ator reconhecido ao menos por ela. E toda a nostalgia melancólica de época é aqui bem retratada e recontada pelo cineasta. Recomendado, um nove merecido!

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