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Rainhas do Crime | Crítica

Melissa McCarthy, Elisabeth Moss e Tiffany Haddish batem de frente com os chefões da máfia em novo filme de Andrea Berloff.

Rainhas do Crime (Divulgação/Warner Bros.)
Rainhas do Crime (Divulgação/Warner Bros.)

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Não há como assistir “Rainhas do Crime” de Andrea Berloff (Straight Outta Compton: A História do N.W.A.) e não lembrar do recente “As Viúvas”, dirigido por Steve McQueen e estrelado por Viola Davis e cia. Aqui, um trio de mulheres precisa tomar à frente do negócio quando seus respectivos maridos vão para a cadeia depois de um assalto frustrado. O negócio em questão é o dia a dia da máfia irlandesa na Nova Iorque dos anos 70.

Melissa McCarthy e Elisabeth Moss entregam ótimas atuações, enquanto Tiffany Haddish faz um trabalho adequado. Com filhos para criar, além de históricos de violência doméstica e traição, Kathy (McCarthy), Claire (Moss) e Ruby (Tiffany) enfrentam as dificuldades e riscos da nova empreitada com uma segurança um pouco forçada, porém com espírito empreendedor de sobra. Rapidamente, as arrecadações das “taxas de proteção” do bairro que estavam em decaída passam a ser pagas em dia, vários dos problemas da comunidade são solucionados e até mesmo um acordo com a concorrência italiana é fechado, garantindo o respeito e o poder que sempre as foram negados.

Obviamente feminista, o título original em inglês, “The Kitchen”, é ao mesmo tempo uma menção ao nome do bairro onde a história acontece, o lendário Hell’s Kitchen em Nova Iorque, e também uma piscadela ao antigo e machista ditado de que “lugar de mulher é na cozinha”. O que o filme parece tentar mostrar, é que não existe tarefa difícil demais para uma mulher – ou nesse caso três delas – o que, convenhamos, é verdade. Algo que o filme explora de maneira inteligente, é a escolha de ter as protagonistas combatendo inimigos externos e alheios, tornando-se fortes e seguras de si, para então reintroduzi-las às ameaças domésticas e familiares, e mostrar o escopo da sua evolução.

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Uma ótima surpresa vem com a chegada do talentosíssimo Domhnall Gleeson na pele de Gabriel O’Malley, um psicopata carinhoso e doce que ganha o coração da tímida Claire, que passa sem dúvida pela maior mudança no decorrer do longa. O relacionamento dos dois, apesar de disfuncional, é um dos pontos altos, graças à ótima química entre Moss e Gleeson, e poderia ter sido ainda mais explorado.

“Rainhas do Crime” tem problemas de roteiro e edição e não flui tão bem quanto deveria, assim como boa parte do terceiro ato segue em uma direção um tanto estranha e irrealista; mas de forma geral pode ser considerado parte de um cânone cinematográfico ainda em construção que deve e precisa evoluir: o de filmes dirigidos por mulheres, liderados por mulheres, que exploram problemas femininos, mas que focam em temas geralmente restritos aos homens, dando à eles apelo universal.

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Evie Diane
Evie Diane
Cresceu vendo filmes ao invés de brincar na rua. Fã de ir ao cinema sozinha. Denis Villeneuve, Steve McQueen, Luca Guadagnino, Woody Allen, Christopher Nolan, Olivier Assayas.
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