Divaldo – O Mensageiro da Paz | Crítica

Filme de Clovis Mello retrata a vida e obra de um dos médiuns mais famosos do Brasil

Divaldo - O Mensageiro da Paz (Divulgação/Fox Film)
Divaldo – O Mensageiro da Paz (Divulgação/Fox Film)

Um dos médiuns espíritas vivos mais conhecidos a nível mundial, Divaldo Pereira Franco desde cedo exibia o dom de se contatar os mortos – ou melhor, desde cedo os mortos passaram a se contatar com ele. Isso porque o então pequeno Di, como era chamado pela família, não tinha nenhum controle sobre essa ligação, confundindo o tempo todo pessoas de carne e osso e espíritos, que para ele eram tão reais quanto.

O dom era motivo de preocupação para a numerosa família, em especial para a mãe Dona Ana, vivida pela talentosa atriz e cantora Laila Garin em atuação que se destaca das demais. Ainda na infância, o garoto vivido por João Bravo sofre a perda da irmã mais velha, o que causa atrito entre a família e a igreja católica. Mais tarde, já adolescente e interpretado por Guilherme Lobo (Hoje Eu Não Quero Voltar Sozinho), Divaldo sofre outro baque: a perda do irmão.

O choque o deixa de cama, sem poder movimentar as pernas, e é então quando é introduzido ao espiritismo pela primeira vez através de Ana Ribeiro Borges (Ana Cecília) Daquele ponto em diante, a vida do jovem muda completamente. Ele se muda de Feira de Santana para Salvador, passa a frequentar os encontros, e com a ajuda de Ana e outros praticantes, explora e desenvolve cada vez mais suas habilidades.

Na última fase, já adulto e experiente, Divaldo é interpretado pelo ator Bruno Garcia. Durante todo esse tempo, duas presenças são constantes: a da guia espiritual Joanna de Ângelis (Regiane Alves) e do espírito obsessivo vivido por Marcos Veras. Enquanto a primeira oferece ensinamentos e conforto, o último despeja ódio constante e tenta desviá-lo do caminho do bem.

Clovis Mello, responsável também por “Ninguém Ama Ninguém… Por Mais de Dois Anos” lançado em 2015, faz um bom trabalho na direção do longa, que em geral possui uma bonita cinematografia. O problema principal está no roteiro, inconsistente e que não consegue balancear de forma fluída os diálogos mais simples e diretos entre os personagens e vários monólogos longos, cansativos, repetitivos e desnecessariamente expositivos, que servem para explicar aos leigos os princípios da doutrina.

A atuação de Laila Garin garante os momentos mais genuínos e emocionantes do filme, conseguindo expressar toda a resignação necessária à uma mãe que não têm outra alternativa a não ser dividir o filho com o mundo. Para os que desejam conhecer em detalhes a vida e obra do médium, o longa é uma boa pedida; já para os que buscam algo mais cinematográfico, a produção no geral fica devendo. Divaldo – O Mensageiro da Paz terá distribuição da Fox Film do Brasil e estreia em 12 de setembro.

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