Coringa | Crítica

Joaquin Phoenix inaugura em grande estilo uma nova era para a DC.

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Evie Diane
Evie Diane
Cresceu vendo filmes ao invés de brincar na rua. Fã de ir ao cinema sozinha. Denis Villeneuve, Steve McQueen, Luca Guadagnino, Woody Allen, Christopher Nolan, Olivier Assayas.

Coringa (Foto: Divulgação/Warner Bros.)
Coringa (Foto: Divulgação/Warner Bros.)

Em CoringaTodd Phillips entrega o palco a Joaquin Phoenix e o ator brilha com a melhor performance masculina do ano. Esse é, basicamente, o melhor resumo que se pode fazer do novo filme da Warner/DC que chega aos cinemas nessa quinta, dia 03. O longa foi um salto no escuro para o estúdio, que confiou uma das suas propriedades mais valiosas e um dos personagens mais adorados dos quadrinhos à um diretor que a maioria do público conhece como sendo responsável pela trilogia Se Beber Não Case.

A aposta, felizmente, deu certo. Claramente o intuito do filme não é apresentar uma versão do personagem que bata de frente com Jack Nicholson ou Heath Ledger. O papel de Arthur Fleck, o homem de carne e osso – muito mais osso do que carne – que serve de base para o nascimento do Coringa, é outro. Demonstrar como a cegueira da sociedade, a falta de empatia e a crueldade com os mais fracos, juntas, são a fórmula perfeita para a criação de monstros.

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Joaquin Phoenix em cena no filme da DC (Foto: Divulgação/Warner Bros.)
Joaquin Phoenix em cena no filme da DC (Foto: Divulgação/Warner Bros.)

Coringa e Gotham City na visão de Todd Phillips

A Gotham de Phillips nunca pareceu tão sombria, tão perversa, tão fora de controle. Nela, Fleck tenta o máximo se encaixar, encontrar um fio de esperança, seguir o conselho da mãe: sorrir sempre. Mas com o sonho de uma carreira na comédia e no stand-up que nunca decolou e uma miríade de problemas mentais que o assolam, entre elas o Afeto Pseudobulbar, que o faz gargalhar descontrolavelmente, suas chances são poucas.

Os repetidos golpes, em conjunto com traumas e fantasmas do passado, levam Arthur para além do seu limite. O filme nos dá uma visão privilegiada da sua mente perturbada, dos momentos mais íntimos, das fantasias não realizadas. O momento no qual a chave é virada, quando o furacão interior começa a ser libertado, a partir daí, é quando o Coringa que conhecemos começa, lentamente, a dar as caras.

A mudança do personagem, de um homem fraco e subjugado à alguém que parece habitar uma outra realidade, aumentada, é gradual, e interpretada por Phoenix em todas as suas nuances. A violência se torna, para ele, libertação. Poder, confiança. Fleck a consome como uma droga, e como qualquer viciado, logo as doses aumentam. Em pouco tempo é preciso algo cada vez mais forte, mais radical, mais perigoso, mais letal.

Joaquin Phoenix interpreta Arthur Fleck, o Coringa (Foto: Divulgação/Warner Bros.)
Joaquin Phoenix interpreta Arthur Fleck, o Coringa (Foto: Divulgação/Warner Bros.)

Diretor faz escolhas corajosas, mas peca na execução

Phillips certamente merece ser recomendado pela ideia, pela escolha de Joaquin como protagonista, pela coragem de colocar em prática uma visão pela qual ele conhecidamente seria crucificado. O problema, aqui, está meramente na execução. Coringa é um filme que teria se beneficiado com um diretor mais “experiente”, um roteiro mais complexo, uma estrutura melhor construída.

As acusações de glorificação do comportamento do personagem, entretanto, são infundadas, tendo em vista que em nenhum momento Arthur é pintado como herói – a não ser pelos seus eventuais seguidores. Seus atos são mostrados pelo que são – hediondos, e em nenhum momento somos compelidos à perdoá-los.

Com Coringa, a DC entra em uma nova era. Mais ousada, moderna, que leva à sério o caráter e a capacidade dramática dos seus personagens. Um filme que merece várias idas ao cinema.

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