Projeto Gemini | Crítica

Tecnologia e efeitos especiais aliadas à experiente direção de Ang Lee se sobressaem frente ao roteiro clichê.

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Paulo Cavalcante
Paulo Cavalcantehttp://www.cafedeideias.com
Professor, atua na internet há mais de dez anos produzindo conteúdo sobre séries e cinema, aprecia a sétima arte e a dramaturgia para as diferentes telas.

Will Smith interpreta Henry Brogan e seu clone em Projeto Gemini (Foto: Divulgação/Paramount Pictures)
Will Smith interpreta Henry Brogan e seu clone em Projeto Gemini (Foto: Divulgação/Paramount Pictures)

Projeto Gemini passou por diversos cineastas até que pudesse cair nas mãos de Ang Lee. O diretor vencedor do Oscar por “O Segredo de Brokeback Mountain” já havia testado as tecnologias de 3D e estereoscopia em produções como “As Aventuras de Pi” e “A Longa Caminhada de Billy Lynn”, sendo este último rodado em alta taxa de quadros. Assim, o filme cujo projeto ficou adormecido e passando de mão em mão por cerca de quinze anos foi a oportunidade perfeita para fazer uso dessas tecnologias na sua mais alta performance com o toque da mente visionária de Lee.

O longa traz Will Smith na pele de Henry Brogan, um assassino profissional considerado o melhor em sua função. Decidido a se aposentar, ele acaba ficando na mira da agência de inteligência americana para a qual trabalhava. Numa jornada para manter vivo a si e aqueles que o cercam, Brogan descobrirá um dos frutos do Projeto Gemini – um clone mais jovem e tão eficiente quanto ele mesmo na arte de caçar a sua vítima e matar.

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Apesar de parecer um projeto ousado, o filme se traduz nas telas apenas por sua tecnologia de ponta já que o roteiro não se prende a nada rebuscado e passa da ação ao melodrama entre um ato e outro. O ato final, inclusive, se pauta nas relações pessoais dos personagens para encontrar o seu desfecho. Contudo, acerta ao se tornar crível ao espectador pelo bom desenvolvimento das personagens ao longo das quase duas horas de trama.

Will Smith, Mary Elizabeth Winstead e Benedict Wong em Projeto Gemini (Foto: Divulgação/Paramount Pictures)
Will Smith, Mary Elizabeth Winstead e Benedict Wong em Projeto Gemini (Foto: Divulgação/Paramount Pictures)

CGI e tecnologia 3D+ com HFR é ponto alto de Projeto Gemini

No quesito tecnológico, Projeto Gemini acerta em grande estilo. Presente em grande parte do filme, Júnior – o clone do personagem de Will Smith – é meticulosamente criado a partir da captura de movimentos do ator, resultando num clone jovem cujas feições foram rejuvenescidas digitalmente – em 90% das sequências, o efeito convence. O 3D estereoscópico presenteia o espectador com uma grande experiência de imersão, com direito a efeitos de profundidade bem construído e objetos saindo da tela, sem causar incômodo aos olhos. Resultado este positivo e alcançado pela direção de fotografia de Dion Beebe, que aliada à câmera afiada de Ang Lee encontrou os pontos chave para destacar a tecnologia e promover a melhor experiência ao cinéfilo da poltrona.

Outro destaque é a captura em alta taxa de quadros (HFR – “high frame rate”), que proporciona ao espectador imagens o mais próximas possíveis do que o olho humano é capaz de enxergar. Apesar de ser filmado em 120 quadros por segundo, as cópias que chegam as salas de cinemas do Brasil possuem 60 fps – mais do que o dobro dos filmes usuais (24 fps). Em poucas palavras, a tecnologia dá mais fluidez às cenas e torna-se uma ferramenta chave nas cenas de ações – aqui, há de se elogiar o plano sequência eletrizante numa cena em que o clone de Henry Brogan o persegue na Colômbia. Passada a ação, o FHR acaba dando um tom de folhetinesco que muito se assemelha às telenovelas latinas, apoiada no roteiro que vez ou outra torna-se piegas.

Com um roteiro bastante previsível, Projeto Gemini se apoia na tecnologia e nas sequências de ação como uma amostra do futuro do cinema com o entretenimento como sua maior função.

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