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Aves de Rapina: Arlequina e sua Emancipação Fantabulosa | Crítica

Cathy Yan entrega uma aventura divertida, embora irregular.

Aves de Rapina (Foto: Divulgação/Warner Bros.)
Aves de Rapina (Foto: Divulgação/Warner Bros.)

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Qual o termômetro de um bom filme? Se é entregar exatamente aquilo que uma parcela específica do público estava esperando, então Aves de Rapina – Arlequina e sua Emancipação Fantabulosa cumpre o que promete, armado de explosões psicodélicas de cores e sons. Um olhar mais objetivo, porém, não demora a encontrar falhas.

Arlequina – ligada em 220 volts por uma Margot Robbie que claramente adora sua personagem – tem um segredo: seu relacionamento com o poderoso Coringa chegou ao fim, e de forma bem dramática diga-se de passagem. Agora, ela teme o que pode acontecer quando todos em Gotham descobrirem que a proteção da qual ela gozava – usava e abusava – já não existe.

Até que em uma noite de fúria decide ela mesma fazer o anúncio – e em grande estilo, explodindo a fábrica na qual mergulhou em resíduos químicos para provar seu amor. A partir daí está aberta a temporada de caça e inimigos começam a chover de todos os lados. O mais perigoso deles é certamente Roman Sionis/Máscara Negra, vivido por Ewan McGregor, que vê na separação a oportunidade perfeita de se vingar da “irritante” ex-namorada do Coringa.

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Seus planos são interrompidos após o sumiço de um importante diamante que vale muito mais do que os seus quilates, o qual Arlequina promete encontrar em troca de não ser lentamente torturada por seu braço-direito, o psicopata Victor Zsasz (Chris Messina). A história vai e volta no tempo através de flashbacks tentando montar as peças do quebra-cabeças, e não espere um filme linear onde os acontecimentos fluem de forma direta e concisa.

Elenco de Aves de Rapina (Foto: Divulgação/Warner Bros.)
Elenco de Aves de Rapina (Foto: Divulgação/Warner Bros.)

Aves de Rapina conta todo o tempo com a narração da sua protagonista, que introduz cada um dos novos personagens, inclusive aquelas que virão a formar seu “squad”: a detetive Renee Montoya (Rosie Perez), Mary Elizabeth Winstead como Caçadora, Jurnee Smollett-Bell como Canário Negro e a jovem Ella Jay Basco como a ladra de dedos leves Cassandra Cain. Embora as estreantes tenham tempo de tela dedicados ao seu “aprofundamento” fica claro que o filme não chega a arranhar a superfície de quem elas realmente são, especialmente quando sua preocupação maior é Arlequina.

O principal problema do longa, que está tanto na direção de Cathy quanto no roteiro de Christina Hodson, é não saber exatamente o que quer ser e que lugar deseja ocupar no panteão da DC. Para um filme que se orgulha de ter classificação R nos Estados Unidos (16 no Brasil), criminosos e policiais (!) que muito raramente utilizam armas de fogo contra as personagens não faz nenhum sentido. Junte-se à isso sequências de ação extremamente coreografadas – ao ponto de ser possível observar várias vezes os dublês aguardando para “levarem uma surra” – e as lutas perdem grande parte do seu apelo.

Na arte como um todo, não apenas no cinema, é preciso haver um certo nível de comprometimento. Apelar para a realidade aumentada, para uma narradora não confiável, como forma de desculpar irregularidades no enredo tem suas consequências. Ou estamos completamente dentro do circo ou fora dele, e quando há um meio-termo, ele precisa ser bem construído.

No fim, Aves de Rapina quer nos convencer de que Coringa – vivendo na mesmíssima Gotham onde toda essa confusão acontece – de alguma forma deixaria passar os planos de dominação de Roman, a morte de dezenas dos seus companheiros de crime, a formação de um novo grupo de justiceiras e finalmente sua antiga namorada fugindo com um diamante que vale milhões sem nem ao menos levantar da cama? Duvidoso.

Se o longa existe em seu próprio universo alternativo e deseja ser criticado como tal, vale muito a pena embarcar na loucura. Para os que desejam algo a mais, paciência.

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Evie Diane
Evie Diane
Cresceu vendo filmes ao invés de brincar na rua. Fã de ir ao cinema sozinha. Denis Villeneuve, Steve McQueen, Luca Guadagnino, Woody Allen, Christopher Nolan, Olivier Assayas.
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